BioGeogilde Weblog

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Estudo revela novos dados sobre a lula gigante 20 de Março de 2013

Até agora tinham sido descritas 21 espécies. Mas afinal haverá apenas uma, segundo uma análise genética a amostras de todo o mundo.

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Há cerca de um século e meio, em 1857, bastaram algumas ventosas, um bico e outros fragmentos encontrados numa praia para que o cientista dinamarquês Japetus Steenstrup atribuísse um nome científico à mítica lula gigante. Agora, cientistas desceram ao nível das células e olharam para os genes do animal para concluir que, a despeito de muitas descrições feitas desde então, afinal há só uma espécie no mundo todo.

É este o principal resultado de um estudo publicado esta quarta-feira na revista Proceedings of the Royal Society B, liderada por investigadores da Universidade de Copenhaga – entre eles uma portuguesa.

É a primeira vez que as lulas gigantes são alvo de uma análise genética comparativa. “Até hoje, não havia nenhum trabalho porque havia poucas amostras”, afirma Paula Campos, do Centro para a Geogenética, do Museu de História Natural da Dinamarca, ligado à Universidade de Copenhaga. (more…)

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Exercícios de Genética 8 de Janeiro de 2013

Filed under: 9ºAno — Prof. Cristina Vitória @ 16:49
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Cá estão os exercícios de genética. Divirtam-se!

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Deslindado o mistério dos girassóis mutantes de Van Gogh 30 de Março de 2012

Havia um mistério de teor biológico nos girassóis envasados que Vincent van Gogh pintou. Parte das plantas desenhadas em 1888 pelo artista holandês eram mutantes, e uma equipa conseguiu agora deslindar o funcionamento desta mutação que dava um aspecto diferente à planta. O artigo que explica este fenómeno foi publicado nesta quinta-feira na revista PLoS Genetics.

O girassol parece uma flor, mas na verdade são muitas flores agregadas, por isso chama-se inflorescência. Cada estrutura que se assemelha a uma pétala grande e amarela não é mais do que uma flor modificada, incapaz de produzir sementes. Por dentro também existem inúmeras pequenas flores em forma de tubo, que estão arrumadas em círculos concêntricos. Podem ser polinizadas e dar sementes.

A estrutura é muito eficiente na polinização e várias espécies diferentes de plantas da família dos girassóis evoluíram neste sentido.

A disposição natural do girassol é de uma circunferência externa de grandes “pétalas” e várias circunferências até ao centro de pequeninas flores. Mas existem indivíduos mutantes que apresentam um gradiente de grandes “pétalas” desde a parte mais externa até ao centro da inflorescência.

Estas duplas flores, como lhes chamaram os cientistas, estão representadas numa série de quadros de Van Gogh. Uma equipa da Universidade da Georgia, nos Estados Unidos, fez vários cruzamentos destas variedades de girassol para compreender o funcionamento dos genes por trás do fenómeno.

A equipa, liderada por John Burke, já sabia que estas modificações tinham de estar associadas a um gene que controla a forma das flores. Através de uma análise genética, os investigadores perceberam que, na planta mutada, parte deste gene não funcionava bem. (more…)

 

O homem visto pelo ADN. A evolução tirou-nos os bigodes sensoriais e deu-nos cérebros grandes 10 de Março de 2011

Porque é que não somos chimpanzés, se partilhamos 95% do ADN? Finalmente a ciência começa a dar respostas.
Se sempre achou que o homem havia de ter mais qualquer coisinha do que um chimpanzé para ter chegado onde chegou – passem-se as interrogações próprias das crises que vamos vivendo – está enganado. Um estudo publicado ontem na revista “Nature” dá a resposta mais pormenorizada dos últimos anos e, à luz dos avanços da genética, sobre o que faz de nós humanos.
Investigadores da Universidade de Stanford, nos EUA, defendem que a resposta não parece estar no que temos a mais, mas no que não temos. Uma primeira análise comparativa entre o genoma humano, o dos chimpanzés e o dos ratinhos revelou 510 segmentos de ADN que só já não existem no homem (entenda-se que também já não existiam nos Neandertais, há 500 mil anos). Os investigadores conseguiram associar as diferenças a atributos bem humanos, como cérebros grandes, e à perda de outros considerados mais primários, como os pénis espinhosos e os bigodes sensoriais.
 A investigação mostra que os genes, que partilhamos com animais tão diferentes como a mosca ou o chimpanzé, não parecem ser a chave das diferenças evolutivas mas sim as chamadas zonas regulatórias do ADN, que ditam quando e como é que os genes são codificados. Hoje sabe-se que os genes, que nos humanos são entre 20 mil e 25 mil, representam apenas 2% do genoma, o manual de instruções de um organismo. Ou seja, o segredo pode não estar nos ingredientes mas nos passos que a evolução foi retirando à receita da vida. (more…)
 

As probabilidades estão do lado de Darwin 27 de Maio de 2010

A vida tem um antepassado comum? Sim. Dizem a teoria da evolução no século XIX, a genética do século XX e a estatística de hoje.

Há poucos dias Craig Venter mostrou ter sintetizado um genoma artificial, que foi introduzido dentro de uma célula bacteriana, e foi capaz de desencadear o movimento da vida. Bravo. Mas o código genético que utilizou não foi inventado por ele. É partilhado por todos os organismos da Terra, tem pelo menos 3,5 mil milhões de anos, e une-nos desde sempre, apesar de só termos tido consciência disso no século XIX, quando Charles Darwin se lembrou de desenhar no seu caderno de apontamentos a primeira árvore evolutiva e escreveu por cima “I think”.

O evolucionista pensou, desenhou, teorizou. Adeus criacionismo e Adão e Eva, adeus teoria da geração espontânea. Olá evolução e primos chimpanzés. Ao longo do século XIX e XX a evolução continuou a ganhar argumentos. A demonstração das características hereditárias que Gregor Mendel fez com as ervilhas, a descoberta da cadeia dupla de ADN e a conclusão de que o código genético é quase universal, ou seja, que os organismos usam o mesmo dicionário para traduzir a informação que está no ADN para as proteínas, confirmaram o que a teoria de Darwin previa. (more…)

 

Genes e circuitos cerebrais influenciam escolha da comida 14 de Maio de 2010

Investigador português recorreu à mosca do vinagre para realizar investigação.

Tal como os humanos ou qualquer outro ser vivo, a mosca do vinagre também tem “preocupações” para fazer uma alimentação equilibrada, mas até agora não se conheciam os factores envolvidos neste processo. O português Carlos Ribeiro, investigador principal no Programa de Neurociências da Fundação Champalimaud, juntamente com Barry J. Dickson, do Research Institute of Molecular Pathology, em Viena (Áustria), resolveu esta incógnita e identificou, pela primeira vez, os genes e circuitos cerebrais envolvidos no decurso desta decisão.

O estudo publicado agora na revista científica «Current Biology» foi efectuado em Drosophila melanogaster, mosca do vinagre, e abre portas para que se compreenda também como outros organismos escolhem as suas fontes de alimento, desde os mosquitos portadores do parasita da malária aos humanos.

Os investigadores usaram um ensaio simples para identificarem o tipo de alimentação que as moscas preferem. À comida enriquecida com proteínas, que contém leveduras, foi adicionado um corante azul, enquanto a que não tem leveduras foi «pintada» de encarnado. Pela simples observação da cor das barrigas das moscas, puderam, então, saber que alimentos ingeriram.

Depois de terem observado os hábitos alimentares da Drosophila ao longo de várias semanas, descobriram que a mosca do vinagre opta por diferentes fontes de alimentação, consoante as suas necessidades nutricionais, sexo e estado de acasalamento. “Normalmente, quando as moscas estão num ambiente com comida ‘completa’, ou seja, com açúcares e leveduras, e se lhes for dada a possibilidade de escolha, estas não comem a comida com proteínas”, explicou, acrescentando que se as moscas forem privadas de proteínas durante um determinado período de tempo, acabam por escolher alimentos com este nutriente.

Fêmeas mais rápidas do que machos

As moscas fêmeas são capazes de mudar de dieta mais rapidamente do que os machos, da mesma forma que as fêmeas que tenham acasalado são também mais rápidas nessa tarefa do que aquelas que são virgens.

De acordo com o investigador português, os resultados e os métodos genéticos experimentais disponíveis na mosca do vinagre permitiram “descrever as moléculas e neurónios que fazem com que as fêmeas que já tenham acasalado reajam mais depressa do que as virgens”. Além disso, foram identificadas as moléculas usados no cérebro das moscas para detectar a falta de proteínas e que fazem com que estas mudem as suas decisões, “o que se pode vulgarmente denominar como o sensor”. (more…)

 

Os Genes que Formam Costelas Antes do Osso 5 de Maio de 2010

Filed under: 11ºAno,Notícias da Ciência — Prof. Cristina Vitória @ 11:33
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Na nossa coluna vertebral a vigésima vértebra deixa de ter costelas. Não se sabia porquê, mas há dois grupos de genes determinantes para isto acontecer. No Instituto Gulbenkian de Ciência produziram ratinhos com costelas do pescoço até à cauda e provaram-no. É tudo uma questão de identidade.

Tiquetaque, tiquetaque. O desenvolvimento embrionário parece um cronómetro. Ao lado da futura coluna vertebral, diferenciam-se bolinhas de células com um espaçamento determinado a que os cientistas chamam “sómitos”. São estruturas que crescem, mudam de forma. Há células que migram, outras que se multiplicam e de repente já se vêem músculos, ossos, pele.

No caso do ser humano, vão aparecendo 33 vértebras que formam a coluna, e que se diferenciam a partir de uma parte do sómito a que chamamos “esclerótomo”. É a partir deste núcleo que também se multiplicam as células que vão formar as costelas. Surgem com a oitava vértebra, e continuam. Tiquetaque, costela, espaço, costela, espaço. Até que diminuem de tamanho, estreitam, ficam suspensas e, à vigésima vértebra, puf, desaparecem de vez. (more…)