BioGeogilde Weblog

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Dicionário dos Alimentos – A de Azeite 8 de Janeiro de 2012

 O azeite é mais uma boa notícia de Natal e não há por estes dias olival onde não se inicie esse ritual bem português que é a apanha da azeitona.

O misticismo da oliveira – símbolo de regeneração, imortalidade e sabedoria – só poderia culminar num produto com iguais características e que se transformou no baluarte das dietas mediterrânicas, padrão alimentar conhecido pela melhoria na qualidade de vida dos seus aderentes. Neste contexto, o azeite aliado aos cereais integrais, hortofrutícolas, frutos gordos e quantidades moderadas de vinho tinto, lacticínios, carnes magras e peixe contribuíram para a menor incidência de doenças cardiovasculares, cancro e declínio cognitivo associado à idade nos povos da bacia mediterrânica.

O azeite constitui-se como uma gordura monoinsaturada, sendo este equilíbrio entre gorduras animais (predominantemente saturadas) e óleos vegetais (predominantemente polinsaturados) um dos responsáveis pelos seus efeitos benéficos na saúde. O ácido oleico, principal ácido gordo do azeite, consegue ser mais resistente à oxidação do que os seus congéneres polinsaturados, reduzindo os níveis de colesterol total e LDL (“mau” colesterol) e aumentando a fracção HDL (“bom” colesterol).

De igual modo, os compostos fenólicos encontrados no azeite possuem propriedades anti-inflamatórias tornando as nossas (more…)

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Dia mundial do café: A diferença entre o remédio e o veneno está na dose 14 de Abril de 2011

Hoje é dia mundial da bebida psicoactiva mais consumida no globo – o café. Esta infusão é muito apreciada em Portugal, especialmente como prática social, e, quem tiver o hábito de tomar “uma bica” ou “um cimbalino” diariamente e não obtiver a sua dose de cafeína fica mesmo mal-humorado ou desmotivado para realizar as actividades habituais. Se demasiado café faz mal, na quantidade certa pode até ser terapêutico. Já diz a sabedoria popular que a diferença entre o remédio e o veneno está na dose.

Se a bebida for consumida moderadamente, apresenta uma acção antioxidante, actua no combate aos radicais livres e, consequentemente, diminui os riscos de desenvolvimento de doenças cardiovasculares e alguns tipos de cancro. No entanto, o excesso de café pode causar irritabilidade, ansiedade, inquietação, insónia, dores de cabeça, náusea e problemas gastro-intestinais, devido a sua acidez.

Uma equipa do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) de Coimbra afirma ter aberto uma nova linha de investigação centrada nas doenças do humor, na sequência dos seus estudos com café para tratamento de doenças do cérebro.

O grupo de investigadores, liderado por Rodrigo Cunha, que se dedica desde 2001 a estudar dos efeitos da cafeína nas doenças de memória, avança que pode mesmo vir a tratar as doenças do humor, nomeadamente depressões, um dos mais graves problemas de saúde das sociedades actuais, que afecta uma em cada quatro pessoas. (more…)
 

Cancro do pâncreas começa pelo menos dez anos antes de ser detectado 28 de Outubro de 2010

Se fosse possível detectar o tumor mais cedo, poderia ser extraído, como se faz com os pólipos do cólon.

O cancro do pâncreas, um dos mais letais, mata não porque comece a espalhar-se pelo organismo rapidamente, mas sim porque só causa sintomas quando já está muito avançado. A primeira mutação genética que dá origem ao cancro pode ter surgido até 11,7 anos antes – seria muito tempo para agir, se os cientistas conseguissem descobrir as lesões cedo.

A equipa de Bert Vogelstein, da Universidade of Johns Hopkins, em Baltimore (EUA) dizia ontem em dois artigos na revista científica Nature que, quando surgem as primeiras lesões, o tumor poderia ser removido – como se faz com os pólipos do cólon. Mas, para isso, seria preciso detectar o cancro numa fase inicial.

A equipa, que inclui investigadores britânicos, do Instituto Wellcome Trust Sanger e da Universidade de Cambridge, usou amostras de tecidos de tumores para, aplicando as modernas técnicas da genómica, descobrir quais as taxas de mutação dos genes das células cancerosas. Segundo os cientistas, são precisos, em média, sete anos para se formar um tumor do tamanho de uma ameixa. (more…)

 

Nobel da Química para fazedores de moléculas orgânicas 7 de Outubro de 2010

No fundo do mar das Caraíbas vive uma pequena esponja indefesa. Para se proteger dos predadores, fabrica um potente veneno e há quem pense que a substância activa, o discodermolide, possa ser um poderoso medicamento contra o cancro.

Para testar a hipótese, são precisas quantidades substanciais de discodermolide. Ora, a sua produção natural pelas esponjas-marinhas é mínima; é preciso fabricá-lo artificialmente.

Sem o trabalho dos laureados do Nobel da Química 2010 não seria possível sintetizar compostos naturais tão complexos como este num tubo de ensaio – nem muitas das moléculas com importantes aplicações na electrónica ou na agricultura. (more…)

 

Sequenciado primeiro genoma de um anfíbio 30 de Abril de 2010

O genoma da primeira espécie de anfíbio foi sequenciado. A rã Xenopus tropicalis tem entre 20 e 21 mil genes, dos quais 1700 são análogos a genes humanos relacionados com doenças.

“Quando se analisa os segmentos do genoma do Xenopus está-se a olhar literalmente para estruturas que têm 360 milhões de anos de idade e eram parte do genoma do último ancestral comum de todas as aves, rãs, dinossauros e mamíferos que caminharam pela Terra”, disse em comunicado Uffe Hellsten, primeiro autor do artigo que vai ser publicado amanhã na revista Science.

O investigador que liderou o projecto trabalha no DOE Joint Genome Institute, na Califórnia. A ideia do projecto nasceu em 2002 e reuniu o trabalho de 24 instituições e 48 investigadores. Como em todas as outras ocasiões em que se sequenciou o genoma de um organismo, este é o primeiro passo para um estudo mais aprofundado da genética desta rã.

Foto: A X. tropicalis à esquerda e a X. laevis à direita, esta usada como teste de gravidez em 1940.

“Agora começa o trabalho a sério”, disse em comunicado Jacques Robert, investigador doutorado que trabalha no Centro Médico da Universidade de Rochester, em Nova Iorque, nos Estados Unidos. (more…)

 

Grávida transmitiu cancro ao seu bebé no útero 14 de Outubro de 2009

grávidaDuas questões intrigavam há décadas os especialistas: podia uma mãe transmitir um cancro ao seu bebé ainda por nascer, através da placenta, como se de um contágio se tratasse? E se assim fosse, como é que as células cancerosas da mãe não eram imediatamente reconhecidas como estranhas pelo sistema imunitário do feto e eliminadas?14/10/10 PÚBLICO

O trágico caso de uma japonesa de 28 anos veio demonstrar, pela primeira vez, que uma tal transmissão é possível e resolver o enigma. A mulher, aparentemente saudável, tinha dado à luz uma menina aparentemente saudável. Porém, a mãe acabaria por morrer, um mês e meio após o parto, de uma leucemia aguda. E, passados 11 meses, a menina dava entrada no hospital com um inchaço na bochecha: um linfoma. A criança, hoje com três anos, encontra-se em remissão.

Desde meados do século XIX conhecem-se 17 casos de provável passagem de metástases da mãe para o feto, explicam Takeshi Isoda, da Universidade Médica e Dentária de Tóquio, Mel Greaves, da Universidade de Londres, e colegas, na revista Proceedings of the National Academy of Sciences. Mas agora provou-se, escrevem, “sem qualquer ambiguidade, que o cancro do bebé é de origem materna”. (more…)

 

Comer carne aumenta risco de morte 26 de Março de 2009

Filed under: Notícias da Ciência — Prof. Cristina Vitória @ 23:35
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2alcatra_bife_quit1O consumo da carne vermelha ou transformada parece aumentar o risco de mortalidade, enquanto o consumo de carne branca parece reduzi-lo, segundo um estudo conduzido nos Estados Unidos e cujos resultados foram publicados esta segunda-feira.

O estudo foi conduzido, durante dez anos, em mais de meio milhão de pessoas, com idades compreendidas entre os 50 e os 71 anos. No início do estudo, em 1995, os participantes responderam a um questionário sobre o seu consumo de carne vermelha, transformada e carne branca. Foram seguidos depois, nomeadamente, das estatísticas dos serviços de segurança social.

Durante dez anos, morreram 47.976 homens e 23.276 mulheres. Os investigadores do Instituto Nacional Norte-americano do Cancro concluíram que 11% das mortes entre os homens e 16% entre as mulheres podiam ter sido evitadas por uma redução do consumo de carne vermelha e transformada. Entre os que menos consumiram carne vermelha e transformada, o risco de morte em consequência de doenças cardiovasculares era inferior em 11% nos homens e 21% nas mulheres.

Segundo os investigadores, “futuros estudos deverão concentrar-se na ligação entre o consumo e transformada e causas mais específicas de mortalidade”.

                                                                                                                  In Jornal de Notícias, 25 de Março de 2009