BioGeogilde Weblog

Blog de apoio e complemento às aulas de Ciências Naturais, Biologia Geologia e Biologia

Sequenciado primeiro genoma de um anfíbio 30 de Abril de 2010

O genoma da primeira espécie de anfíbio foi sequenciado. A rã Xenopus tropicalis tem entre 20 e 21 mil genes, dos quais 1700 são análogos a genes humanos relacionados com doenças.

“Quando se analisa os segmentos do genoma do Xenopus está-se a olhar literalmente para estruturas que têm 360 milhões de anos de idade e eram parte do genoma do último ancestral comum de todas as aves, rãs, dinossauros e mamíferos que caminharam pela Terra”, disse em comunicado Uffe Hellsten, primeiro autor do artigo que vai ser publicado amanhã na revista Science.

O investigador que liderou o projecto trabalha no DOE Joint Genome Institute, na Califórnia. A ideia do projecto nasceu em 2002 e reuniu o trabalho de 24 instituições e 48 investigadores. Como em todas as outras ocasiões em que se sequenciou o genoma de um organismo, este é o primeiro passo para um estudo mais aprofundado da genética desta rã.

Foto: A X. tropicalis à esquerda e a X. laevis à direita, esta usada como teste de gravidez em 1940.

“Agora começa o trabalho a sério”, disse em comunicado Jacques Robert, investigador doutorado que trabalha no Centro Médico da Universidade de Rochester, em Nova Iorque, nos Estados Unidos. O investigador acrescenta que o próximo passo é “compreender como e quando estes genes são ligados e desligados, e como trabalham juntos durante o desenvolvimento e durante a doença.” A equipa deste investigador produziu muita informação sobre 200 dos genes da rã.

Mas a sequenciação do genoma já deu novidades. Na rã, perto de 90 por cento dos genes têm os mesmos genes vizinhos que os humanos. Ou seja, a maioria dos “bairros genéticos” do anfíbio são equivalentes aos humanos. Este dado é importante para compreender como é que estas comunidades genéticas interagem, o que muitas vezes está relacionado com a nossa susceptibilidade para problemas de saúde como o cancro ou as doenças cardíacas.

O Xenopus tropicalis tem dez cromossomas e está presente em laboratórios de todo o mundo. Desde a década de 1940 que o género desta rã, que reúne cerca de 20 espécies, é utilizada pelo Homem. Os primeiros testes de gravidez foram feitos com a ajuda da Xenopus laevis que reage a uma hormona feminina produzida durante a gravidez que a faz ovular e produzir ovos em menos de 10 horas.

Apesar de a X. laevis ser mais utilizada, o consórcio escolheu a X. tropicalis por ter cerca de metade do material genético para sequenciar e ter ciclos reprodutivos mais rápidos.

29/04/10 Público