BioGeogilde Weblog

Blog de apoio e complemento às aulas de Ciências Naturais, Biologia Geologia e Biologia

Deslindado o mistério dos girassóis mutantes de Van Gogh 30 de Março de 2012

Havia um mistério de teor biológico nos girassóis envasados que Vincent van Gogh pintou. Parte das plantas desenhadas em 1888 pelo artista holandês eram mutantes, e uma equipa conseguiu agora deslindar o funcionamento desta mutação que dava um aspecto diferente à planta. O artigo que explica este fenómeno foi publicado nesta quinta-feira na revista PLoS Genetics.

O girassol parece uma flor, mas na verdade são muitas flores agregadas, por isso chama-se inflorescência. Cada estrutura que se assemelha a uma pétala grande e amarela não é mais do que uma flor modificada, incapaz de produzir sementes. Por dentro também existem inúmeras pequenas flores em forma de tubo, que estão arrumadas em círculos concêntricos. Podem ser polinizadas e dar sementes.

A estrutura é muito eficiente na polinização e várias espécies diferentes de plantas da família dos girassóis evoluíram neste sentido.

A disposição natural do girassol é de uma circunferência externa de grandes “pétalas” e várias circunferências até ao centro de pequeninas flores. Mas existem indivíduos mutantes que apresentam um gradiente de grandes “pétalas” desde a parte mais externa até ao centro da inflorescência.

Estas duplas flores, como lhes chamaram os cientistas, estão representadas numa série de quadros de Van Gogh. Uma equipa da Universidade da Georgia, nos Estados Unidos, fez vários cruzamentos destas variedades de girassol para compreender o funcionamento dos genes por trás do fenómeno.

A equipa, liderada por John Burke, já sabia que estas modificações tinham de estar associadas a um gene que controla a forma das flores. Através de uma análise genética, os investigadores perceberam que, na planta mutada, parte deste gene não funcionava bem. (more…)

 

Cientistas revelam a surpreendente simplicidade da geometria cerebral

Resultados publicados esta sexta-feira na Science – O cérebro humano é o objecto mais complexo que conhecemos, mas a organização das suas ligações nervosas é das coisas mais simples que se possa imaginar.

Basta olhar para a imagem que ilustra esta notícia para perceber do que se trata. Elas revelam que, ao contrário do que se poderia pensar, a arquitectura das ligações nervosas no cérebro não tem nada a ver com um emaranhado sem nexo de esparguete — e tudo a ver com a malha, muito bem organizada e estruturada, de um tecido acabado de sair do tear. Esta sexta-feira, na revista Science, Van Wedeen, da Universidade de Harvard, e colegas publicam estas espectaculares visualizações do cérebro (humano e de vários primatas) e explicam como chegaram à surpreendente conclusão de que a arquitectura dos circuitos nervosos, que define a geometria subjacente do cérebro adulto, é uma simples retícula 3D, com todas as fibras projectadas pelos neurónios a entrecruzarem-se em ângulo recto numa das três dimensões do espaço.

“O nosso objectivo era mapear a arquitectura das fibras cerebrais”, explica Wedeen num podcast no site da revista. “Dada uma ligação, por onde é que ela passa na sua vizinhança imediata? Descobrimos que essa organização não podia ser mais simples.” As fibras formam superfícies curvas onde pacotes de fibras paralelas (more…)

 

Há muitas super-Terras em zonas propícias à vida na Via Láctea 28 de Março de 2012

As super-Terras, planetas um pouco maiores do que o nosso, são muito vulgares na Via Láctea. É a principal conclusão de uma equipa internacional, que inclui os astrofísicos portugueses Nuno Santos e Vasco Neves, além da dupla que descobriu o primeiro planeta de sempre noutro sistema solar, em 1995.

Ao longo de seis anos, a equipa observou anãs vermelhas, as estrelas mais frequentes da nossa galáxia, mais pequenas do que o Sol e boas candidatas para se encontrar planetas. Os resultados, publicados nesta quarta-feira na revista Astronomy & Astrophysics, mostram que 41% destes astros têm super-Terras na zona habitável – a região de um sistema estelar onde é mais provável haver vida.

As observações foram feitas no espectrógrafo Harps, instalado num telescópio que o Observatório Europeu do Sul (ESO) tem em La Silla, no deserto do Chile. Entre Fevereiro de 2003 e Março de 2009, o Harps observou 102 anãs vermelhas e ofereceu uma nova paisagem galáctica aos cientistas.

“Um dos resultados que mais chama atenção é que a frequência de super-Terras à volta das anãs vermelhas é muito elevada”, diz ao PÚBLICO Nuno Santos, do Centro de Astronomia da Universidade do Porto (CAUP), que faz parte da equipa, que inclui Didier Queloz e Michel Mayor, os primeiros caçadores a encontrar planetas extra-solares. (more…)

 

Quem come chocolate pesa menos?

Talvez não seja necessária assim tanta ponderação antes de abrir uma tablete de chocolate. Pelo menos de acordo com um estudo feito nos Estados Unidos que associou a ingestão de chocolate a pessoas com menos peso.

O trabalho foi feito por uma equipa liderada por Beatrice Golomb, da Universidade California San Diego, e foi publicado na revista Archives of Internal Medicine. A investigação avaliou o Índice de Massa Corporal (IMC) de 1000 adultos saudáveis, com idades entre os 20 e os 85 anos, e os seus hábitos. Entre os quais, o consumo de chocolate.

O IMC de uma pessoa é obtido dividindo o peso pelo quadrado da altura e avalia se alguém está com peso normal. Em média, os participantes tinham um IMC de 28, o que indica excesso de peso mas não obesidade.

As 100 pessoas recorriam ao chocolate duas vezes por semana, em média. Mas as que comiam com maior frequência, apesar de ingerirem mais calorias, tinham menos peso. O estudo teve em conta a idade, o género e a quantidade de exercício.

A equipa mediu uma diferença de 2,3 a 3,2 quilos entre os participantes que iam ao armário do chocolate cinco vezes por semana e os que nunca tocavam neste doce. Segundo os investigadores, o efeito não tinha que ver com a quantidade mas com a frequência com que o chocolate era ingerido. (more…)

 

Mais uma ideia original para o Projeto Reciclarte 22 de Março de 2012

Filed under: 8ºAno — Prof. Cristina Vitória @ 21:58
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Clonada primeira cabra para produção de lã de alta qualidade 20 de Março de 2012

O animal clonado e baptizado de Noori nasceu saudável e com 1,3 quilos.

Uma equipa de cientistas indianos, liderada por Riaz Ahmad Shah, clonaram com sucesso, e pela primeira, vez uma cabra hircus que produz lã de alta qualidade pashmina, muito apreciada para a confecção de roupas e acessórios.

O animal clonado e baptizado de Noori nasceu saudável e com 1,3 quilos, no dia 9 de Março em Kashmir, na Índia. De acordo com um comunicado, o embrião foi implantado e desenvolveu-se no útero de uma outra fêmea, que funcionou como uma “mãe de aluguer”. A técnica levou dois anos até ter sucesso.

Entretanto, a Noori já ganhou o peso e conta com cinco quilos. O animal já está reunido com mais de duas dúzias de outras cabras pashminas, no laboratório de Alastaingh, com o objectivo de produzirem lã de alta qualidade.A clonagem foi recebida como boa notícia em zonas de grande altitude, como em Ladakh (a região mais fria do estado), onde se encontram estes animais para produção de fibras de boa qualidade. Agora, com a Noori espera-se que a lã pashmina possa ser produzida em zonas mais baixas, como o vale de Kashmir, com a qualidade pretendida. (more…)
 

Parasita consegue “manipular” o comportamento de ratinhos 15 de Março de 2012

Quando os ratinhos, que têm naturalmente muito medo dos felinos, têm cistos no cérebro devido a uma infecção crónica pelo parasita Toxoplasma gondii, começam a andar mais depressa e durante mais tempo… e o medo de serem caçados diminui. Este autêntico jogo do gato e do rato virado do avesso – e cujos cordelinhos são literalmente puxados por um microorganismo – foi agora revelado por Cristina Afonso e Vítor Paixão, da Fundação Champalimaud, e foi nesta quarta-feira à noite publicado online na revista de livre acesso PLoS ONE.

O Toxoplasma é um protozoário capaz de infectar todos os mamíferos, mas cujo hospedeiro final são os felinos, onde se reproduz de forma sexuada (nos roedores, hospedeiros intermédios, reproduz-se por clonagem). Ora, se os ratinhos se tornarem mais aventureiros, os gatos apanham-nos mais facilmente, aumentando as chances de o parasita conseguir infectar o seu hospedeiro final.
A infecção no ratinho começa com uma fase aguda, durante a qual o animal perde muito peso, e a seguir torna-se crónica, com o parasita a formar pequenas bolsas, ou cistos, cerebrais. Já se suspeitava que, estando alojado no cérebro, o parasita pudesse induzir alterações comportamentais nos roedores. Por exemplo, observações de laboratório sugeriam que os ratinhos infectados, em vez de fugirem a sete pés do cheiro a gato, se tornavam indiferentes a ele e até podiam achá-lo “interessante” porque activava áreas cerebrais associadas, como o prazer sexual. “Como se pensassem, ‘espera lá, isto não é um predador, é uma fêmea!’”, diz-nos Cristina Afonso em conversa telefónica. (more…)