BioGeogilde Weblog

Blog de apoio e complemento às aulas de Ciências Naturais, Biologia Geologia e Biologia

Parasita consegue “manipular” o comportamento de ratinhos 15 de Março de 2012

Quando os ratinhos, que têm naturalmente muito medo dos felinos, têm cistos no cérebro devido a uma infecção crónica pelo parasita Toxoplasma gondii, começam a andar mais depressa e durante mais tempo… e o medo de serem caçados diminui. Este autêntico jogo do gato e do rato virado do avesso – e cujos cordelinhos são literalmente puxados por um microorganismo – foi agora revelado por Cristina Afonso e Vítor Paixão, da Fundação Champalimaud, e foi nesta quarta-feira à noite publicado online na revista de livre acesso PLoS ONE.

O Toxoplasma é um protozoário capaz de infectar todos os mamíferos, mas cujo hospedeiro final são os felinos, onde se reproduz de forma sexuada (nos roedores, hospedeiros intermédios, reproduz-se por clonagem). Ora, se os ratinhos se tornarem mais aventureiros, os gatos apanham-nos mais facilmente, aumentando as chances de o parasita conseguir infectar o seu hospedeiro final.
A infecção no ratinho começa com uma fase aguda, durante a qual o animal perde muito peso, e a seguir torna-se crónica, com o parasita a formar pequenas bolsas, ou cistos, cerebrais. Já se suspeitava que, estando alojado no cérebro, o parasita pudesse induzir alterações comportamentais nos roedores. Por exemplo, observações de laboratório sugeriam que os ratinhos infectados, em vez de fugirem a sete pés do cheiro a gato, se tornavam indiferentes a ele e até podiam achá-lo “interessante” porque activava áreas cerebrais associadas, como o prazer sexual. “Como se pensassem, ‘espera lá, isto não é um predador, é uma fêmea!’”, diz-nos Cristina Afonso em conversa telefónica. (more…)

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Como o pénis perdeu as espinhas e o que mudou por isso 10 de Março de 2011

Estudo sobre evolução humana – O que faz com que os seres humanos tenham um aspecto distinto, tão facilmente identificável por outro ser humano? O segredo, estão os cientistas a descobrir, está na regulação da actividade dos genes, tal como um cozinheiro põe mais ou menos pimenta. Hoje, uma equipa relata na revista Nature ter identificado centenas de eventos moleculares com impacto na evolução humana. Entre eles, o que fez com que desaparecessem as espinhas queratinosas do pénis nos humanos.

A equipa de Gill Bejerano e David Kingsley, da Universidade de Stanford (EUA) beneficiou da última década de avanços da sequenciação genómica, que oferece já um leque vasto de espécies cujos genomas podem ser comparados. “A tecnologia permite-nos comparar os genomas de humanos e outros mamíferos e procurar o que nos torna únicos”, comentou Philip Reno, da Universidade da Pensilvânia, um dos autores do trabalho, citado num comunicado. “E podemos relacionar essa informação com características físicas humanas específicas.”

Usando a genómica comparativa, a equipa identificou 510 sequências genéticas muito conservadas em todas as espécies de mamíferos, inclusivamente nos chimpanzés (os nossos parentes mais próximos), mas que estão ausentes no genoma humano. São sequências de ADN que, se forem encaradas como palavras, escrevem instruções regulatórias, que influenciam a actividade dos genes. (more…)

 

Planeta caminha para nova extinção em massa 7 de Março de 2011

Seres vivos actuais não enfrentam fenómeno tão catastrófico como dinossauros

Um estudo, publicado ontem na revista científica «Nature», alerta para o facto de podermos estar a caminhar para uma nova extinção em massa. No entanto, ressalva que os seres vivos actuais não enfrentam um fenómeno tão catastrófico como o dos dinossauros.

Chamada de «Sexta Extinção» devido às «Big Five», como são conhecidas as cinco grandes extinções da história do planeta que exterminaram três quartos das espécies do planeta. A investigação, coordenado por Anthony Barnosky, da Universidade da Califórnia em Berkeley, calcula que, nos últimos 500 anos, perderam-se “apenas” entre um e dois por cento dos seres vivos modernos.
Contudo, a análise de fósseis de seres vivos sugere que, no máximo, duas espécies do grupo desapareciam a cada milhão de anos – antes da civilização humana. O estudo deixa, apesar de tudo, bem claro que existe incertezas nas contagens. Por exemplo, as espécies de mamíferos ‘abatidas’, do ano de 1500 até agora, foram 80 – o que é considerado uma aceleração brutal. (more…)

 

Extinção aos Dinossauros definiu evolução dos vertebrados terrestres 19 de Maio de 2010

As extinções em massa são capazes de relançar os dados da evolução, defende um estudo publicado hoje na revista “Proceedings of the National Academy of Science”. Mataram os dinossauros e permitiram que os mamíferos proliferassem há 65 milhões de anos, mas tiveram implicações mais subtis nas nossas vidas como termos cinco dedos em vez de seis.

No final do Devónico, há mais de 360 milhões de anos, os vertebrados com quatro patas chamados tetrápodes já tinham iniciado a colonização da terra. A maioria, no entanto, ainda se encontrava no mar. Um estudo publicado na revista “Proceedings of the National Academy of Science” mostra que foi uma extinção em massa ocorrida no fim deste período que ditou as linhas evolutivas de peixes e de tetrápodes que ainda hoje existem.

“Foi tudo atingido, a extinção foi global”, disse a principal autora do estudo, Lauren Sallan, da Universidade de Chicago. “Apagou a diversidade dos vertebrados em cada um dos ambientes, tanto em água doce como nas regiões marinhas, e criou um mundo completamente diferente”, explicou em comunicado. (more…)

 

Sequenciado primeiro genoma de um anfíbio 30 de Abril de 2010

O genoma da primeira espécie de anfíbio foi sequenciado. A rã Xenopus tropicalis tem entre 20 e 21 mil genes, dos quais 1700 são análogos a genes humanos relacionados com doenças.

“Quando se analisa os segmentos do genoma do Xenopus está-se a olhar literalmente para estruturas que têm 360 milhões de anos de idade e eram parte do genoma do último ancestral comum de todas as aves, rãs, dinossauros e mamíferos que caminharam pela Terra”, disse em comunicado Uffe Hellsten, primeiro autor do artigo que vai ser publicado amanhã na revista Science.

O investigador que liderou o projecto trabalha no DOE Joint Genome Institute, na Califórnia. A ideia do projecto nasceu em 2002 e reuniu o trabalho de 24 instituições e 48 investigadores. Como em todas as outras ocasiões em que se sequenciou o genoma de um organismo, este é o primeiro passo para um estudo mais aprofundado da genética desta rã.

Foto: A X. tropicalis à esquerda e a X. laevis à direita, esta usada como teste de gravidez em 1940.

“Agora começa o trabalho a sério”, disse em comunicado Jacques Robert, investigador doutorado que trabalha no Centro Médico da Universidade de Rochester, em Nova Iorque, nos Estados Unidos. (more…)

 

Fóssil comum a todos os mamíferos descoberto em Moçambique 29 de Janeiro de 2010

Ricardo Araújo e Rui Castanhinha partiram numa aventura a Moçambique, no Verão passado, com uma ideia fixa: encontrar o primeiro dinossauro daquele país. Saiu-lhes na rifa algo ainda mais antigo e raro, que agora revelaram: o fóssil de um antepassado comum a todos os mamíferos, com 250 milhões de anos, quando ainda faltavam 30 milhões de anos para aparecerem os primeiros dinossauros.

Tanto Ricardo Araújo (24 anos) como Rui Castanhinha (27 anos) estavam prestes a entrar numa nova fase da vida. O primeiro ia começar o mestrado em paleontologia na Universidade Metodista do Sul, no Texas (Estados Unidos); o segundo, o doutoramento no Instituto Gulbenkian de Ciência, em Oeiras. Estavam ambos a colaborar, tal como agora, com o paleontólogo Octávio Mateus, do Museu da Lourinhã, e antes da nova fase nada melhor do que uma expedição científica em África. “Eu e o Rui tínhamos decidido cometermos a loucura de partir para Moçambique para descobrir o primeiro dinossauro do país”, conta Ricardo Araújo. (more…)