BioGeogilde Weblog

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Fundação Gates dá bolsas a portugueses para desenvolverem armas contra a malária 9 de Novembro de 2010

Os cientistas portugueses Miguel Prudêncio e Miguel Soares receberam bolsas de cem mil dólares para o desenvolvimento de uma vacina contra a malária e para a estimulação da imunidade em crianças – a faixa etária que mais morre desta doença.

Para sermos infectados com o Plasmodium falciparum (a mais perigosa das espécies que causam malária no Homem) é necessário sermos picados pelo mosquito Anopheles. Durante as suas experiências, o cientista Miguel Prudêncio também foi picado pelos mosquitos, o que o levou a pensar em testar uma vacina com o Plasmodium berghei, a espécie de parasita com que trabalha e que ataca os ratinhos mas não causa infecção nos humanos.

“A primeira coisa que se pergunta é se isto não vai fazer mal?”, disse ao PÚBLICO Prudêncio, investigador no Instituto de Medicina Molecular (IMM), em Lisboa. Maria Mota, investigadora principal do grupo onde o cientista trabalha, lembrou-se de um transgénico do P. berghei que tem um gene do parasita que ataca os humanos.

Sabe-se que in vitro, o P. berghei consegue penetrar nas células do fígado humanas – as primeiras que são atacadas quando o mosquito liberta os parasitas na nossa corrente sanguínea. Mas ao contrário do P. falciparum, o P. berghei não se multiplica e não infecta as células do sangue. (more…)

 

Instituto Adolfo Lutz isolou e sequenciou o vírus da Gripe A e descobriu diferenças 18 de Junho de 2009

1313065Mutação detectada em S. Paulo não tem relevância no desenvolvimento da vacina
As diferenças entre o vírus analisado no Brasil e a versão original do H1N1 descrita pela Organização Mundial de Saúde (OMS) são muito subtis. Mas, ainda que discretas, serão as primeiras alterações detectadas numa estirpe que era considerada estável até à data e já introduziram um novo termo no recente vocabulário da pandemia: a partir da agora, há também a gripe A/São Paulo/H1N1.

Os vírus não são imutáveis. As mutações, mais ou menos significativas, são normais. Por isso, a vacina para a gripe sazonal é diferente quase todos os anos, integrando diversas estirpes (ou subtipos) do vírus da gripe. Neste caso, as alterações detectadas no vírus H1N1 “não têm ainda repercussões no desenvolvimento da vacina”, assegurou ao PÚBLICO Marta Salomão, directora do Instituto Adolfo Lutz, dependente da Secretaria de Estado da Saúde de S. Paulo.

Essa era uma das principais preocupações: existirem já mutações capazes de justificar o desenho de diferentes “fórmulas” para a imunização quando ainda nem temos a vacina para a estirpe original da gripe A.

A discreta alteração, como referem os cientistas de São Paulo, mostra que um dos segmentos genéticos apresenta “apenas” uma taxa de similaridade que se situa entre os 99,5 e 99,7 por cento em relação à estirpe inicial referenciada como Gripe A/Califórnia/H1N1. Nos outros segmentos, a caracterização molecular da estirpe de São Paulo é igual à versão original. “São pequenas mutações, mas vamos continuar atentos”, diz Marta Salomão.

Com a sequenciação do vírus H1N1 em curso em todo o mundo, a responsável do instituto brasileiro afirma que este novo subtipo apresenta uma combinação única de segmentos genéticos que não tinha sido relatada antes nas caracterizações dos vírus de influenza suína ou humana.

A parte do vírus onde foram detectadas alterações está relacionada com a proteína hemaglutinina e está ligada à capacidade de infecção viral, nota Marta Salomão, adiantando que o instituto tem já mais “sete vírus isolados e que serão sequenciados”.

Os resultados agora divulgados foram obtidos com a análise da secreção respiratória do primeiro caso de infecção em São Paulo: um homem de 26 anos internado a 24 de Abril no Instituto de Infectologia Emílio Riba e que já recuperou.

Do vírus isolado e sequenciado recolheram imagens que foram ampliadas 200 mil vezes. “A caracterização genética é fundamental na investigação da epidemiologia molecular do vírus, para saber se o padrão viral se mantém ou já se diferenciou dos de outras regiões. Isto contribui para a produção de vacina e avaliação de resposta aos antivirais”, conclui a nota técnica no site do instituto.

Contactada pelo PÚBLICO, a virologista Raquel Guiomar disse desconhecer os pormenores da investigação brasileira, mas adiantou que a relevância de uma mutação depende sempre da sua extensão. Para já, não será caso para preocupações. Porém, sabe-se que o H1N1 pode sofrer mutações que o tornem mais virulento e é possível que surjam variantes resistentes a alguns medicamentos.

 17.06.2009  – In PÚBLICO