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Descoberto local onde se formaram os primeiros gelos do continente mais frio do mundo 8 de Junho de 2009

 

Região da Antárctida com topografia parecida com os Alpes

 
ANTARCTICA LIFE
 
 
 
 

Há 14 milhões de anos os flocos de neve que caiam nas montanhas de Gamburtsev, na Antárctida, deixaram começaram a formar um pequeno glaciar que transformou a paisagem da Antárctida na cor que conhecemos hoje, branca.

Uma equipa de investigadores foi até àquela região inóspita e através de ondas de rádio conseguiram construir uma imagem da topografia e determinar onde é que se formaram os primeiros glaciares do continente, o estudo foi publicado hoje na versão online da revista “Nature”.

“Este é o maior reservatório de gelo da Terra, e é o local da Terra que menos se conhece”, disse Fausto Ferraccioli, cientista do British Antarctic Survey, envolvido num noutro projecto internacional para estudar a região. O investigador explicou que as elevações e a localização das montanhas de Gamburtsev tornam o “local ideal” para a formação do primeiro gelo.

O primeiro autor do estudo, Sun Bo do Instituto de Investigação Polar da China, e os seus colegas, percorreram mais de 1200 quilómetros do Centro de Investigação que fica no extremo Este do continente, até ao meio das montanhas, num local denominado Dome A. Nessa região, a equipa utilizou o radar para medir um quadrado de 30 quilómetros de lado e determinou que a paisagem, há 14 milhões de anos, era parecida com a cordilheira dos Alpes. A equipa chegou à conclusão que neste último período de tempo, a camada de gelo não se alterou.

O radar emite ondas para o chão que quando chegam à interface entre o gelo e a montanha são reflectidas devido à mudança do material. Como os investigadores sabem a velocidade das ondas podem, através do tempo que a onda demora a ir e vir, medir a espessura do gelo.

Desta forma conseguem ter uma ideia da topografia. “O que é perfeito, porque permite-nos perceber como é que o vale funcionaria quando estava preenchido por gelo, e como é que a água escorria quando não existia gelo nenhum”, disse à BBC News Martin Siegert, director da escola de geociências na Universidade de Edimburgo, que também esteve envolvido no estudo.

No final do Eocénico, há 40 milhões de anos, a diminuição da temperatura da Terra foi o arranque para o “congelamento” da Antárctida, a movimentação das placas tectónicas que “chutaram” o continente para o Pólo Sul e a formação da corrente circumpolar antárctica tornaram o clima do continente no que é agora.

Por cima das montanhas de Gamburtsev existem três quilómetros de gelo. “É necessária uma temperatura média anual de três graus célsius para que os glaciares se formem como se formaram”, disse Siegert. “Hoje, a temperatura média anual nesta região é de 60 graus negativos. Por isso acreditamos que estas montanhas são uma relíquia [devido à erosão glacial] da Antárctida antes da camada de gelo estar no lugar”

O estudo também é revelante para se compreender a estabilidade do gelo. “É uma parte crítica do sistema terrestre,” disse Ferraccioli. “Se todo o gelo derretesse, o nível médio do mar subiria cerca de 60 metros.”

“Tem havido muitas alterações climáticas ao longo destes 14 milhões de anos”, disse Siegert. “O que podemos dizer sobre este local no meio da Antárctica é que nada mudou.” Mas o investigador avisa que se o mundo continuar a emitir dióxido de carbono como tem feito até agora, nos próximos mil anos o continente deixará de ter gelo.

“Isto põe a camada de gelo no contexto do clima global e quais são as condições necessárias para uma camada de gelo aumentar,” explicou Siegert. “O que é preocupante é que parece que nos dirigimos para concentrações de dióxido de carbono consistentes com alturas em que havia muito menos gelo.”

03.06.2009 – 23h26 PÚBLICO

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Aquecimento do Atlântico ligado às poeiras do Sara e aos vulcões 29 de Março de 2009

desertoA aceleração do aquecimento do Oceano Atlântico nos últimos trinta anos explica-se em grande parte pela diminuição das tempestades de areia no Sara e uma menor actividade vulcânica nos trópicos, sustenta um estudo divulgado quinta-feira nos Estados Unidos.

Os investigadores combinaram dados de satélites sobre a poeira e outras partículas em suspensão na atmosfera que fazem cortina ao sol, com modelos climáticos para avaliar os efeitos sobre a temperatura na superfície do Oceano Atlântico.

Conseguiram calcular o aquecimento do Atlântico nos últimos 26 anos e o impacto sobre as temperaturas segundo as alterações nas tempestades de areia em África e as actividades vulcânicas sobretudo com as erupções do vulcão El Chichón no México em 1982 e do Monte Pinatubo nas Filipinas em 1991.

“Uma grande parte da subida da temperatura desde há 26 anos na superfície do Oceano Atlântico nos trópicos – um quarto de grau Celsius em média por década – só pode explicar-se por (uma diminuição) das tempestades de areia e da actividade vulcânica”, indica Amato Evan, um climatologista da Universidade do Wisconsin (norte), principal autor deste estudo publicado na edição online do jornal Science datado de 26 de Março.

“A combinação destes dois factores explica cerca de 70 por cento deste aumento da temperatura e um quarto está ligado às tempestades de areia e poeira” em África, precisa.

Um aumento modesto pode ter um impacto importante na frequência e na intensidade dos ciclones que se formam mais nas águas mais quentes, explica este investigador.

É assim que a diferença de temperatura na superfície do Atlântico entre 1994, um ano com muito pouca actividade ciclónica, e 2005, que bateu um recorde em número de tempestades tropicais e de furacões, foi de apenas de meio grau Celsius, nota.

Os resultados desta investigação sugerem que apenas 30 por cento dos aumentos da temperatura da água do Atlântico são devidos a outros factores tais como as alterações climáticas, conclui.

Sem desvalorizar a importância das alterações climáticas, este investigador nota que este ajustamento permite compreender porque é que o Atlântico aquece mais depressa do que o Pacífico.

“Isto permite restabelecer uma coerência porque sabemos que as alterações climáticas não podem só por si levar a uma subida tão rápida das temperaturas na superfície dos oceanos”, salienta Amato Evan.

                                                                  In Diário de Notícias, 27 de Março de 2009