BioGeogilde Weblog

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Genoma do milho revela que tem mais genes do que um ser humano 23 de Novembro de 2009

Filed under: 11ºAno,Notícias da Ciência — Prof. Cristina Vitória @ 15:56
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O complexo genoma do milho, que tem mais genes do que o dos seres humanos (32 mil, quando o do homem ronda os 20 mil) acaba de ser sequenciado. Os resultados são hoje publicados na revista “Science” e em duas outras revistas científicas e podem ajudar a enteder a complicada história de um dos cereais mais cultivados.

O genoma do milho tem 2,3 mil milhões de pares de bases químicas que formam as cadeias de ADN, quando o dos humanos têm 2,9 mil milhões. Mas tem apenas dez cromossomas, em vez dos 23 dos seres humanos.

Cerca de 85 por cento dos segmentos de ADN do milho estão repetidos em diferentes pontos do genoma, o que complica o trabalho de sequenciação, sublinham os cientistas. “Sequenciar o genoma do milho foi como guiar por uma estrada sem nada à volta durante muitos quilómetros, avistando apenas postes de sinalização muito esporadicamente”, comentou Sandra Clifton, da Universidade Washington em Saint Louis (EUA), a instituição que coordenou os esforços das várias equipas norte-americanas que participaram neste trabalho, publicado ainda nas revistas “Proceedings of the National Academy of Sciences” e Public Library of Science – Genetics”. (more…)

 

Apresentamos-lhe Ardi, a nova mais antiga antepassada dos homens 1 de Outubro de 2009

  Estudo pormenorizado de fóssil publicado na revista “Science”
ardiHá muito, muito tempo, a região de Afar, no que é hoje a Etiópia, perto da actual aldeia de Aramis, 230 quilómetros a nordeste da capital Addis Abeba, era um autêntico paraíso. Uma paisagem de floresta esparsa, onde corriam cascatas de água doce, com zonas densamente arborizadas, mas também com grandes extensões de pradaria. Na floresta havia palmeiras, abundavam as figueiras e os lódãos. Era um mundo povoado de caracóis, mochos, papagaios e pavões – e ainda de ratos, morcegos, ouriços-cacheiros, hienas, ursos, porcos, rinocerontes, elefantes, girafas, macacos e antílopes. Também aí, entre os seus, vivia Ardi, uma fêmea de hominídeo primitivo. Pesava uns cinquenta quilos e media cerca de um metro e vinte. Vivia em grupo, criava os filhos e foi aí que morreu… há 4,4 milhões de anos.

O primeiro fragmento dos seus restos fossilizados – um molar – foi descoberto há 17 anos por Gen Suwa, da Universidade de Tóquio, e anunciado em 1994 na revista Nature. A seguir, entre 1994 e 1997, o resto do esqueleto (só parcialmente recuperado), em mau estado e muito fragilizado e disperso, com o crânio esmagado, foi minuciosamente libertado pelos paleontólogos dos sedimentos onde se encontrava prisioneiro. Mais de 125 fragmentos ósseos de Ardi foram assim postos a nu: crânio, dentes, braços, mãos, pélvis, pernas, pés. E também ossos de pelo menos mais 36 indivíduos da mesma espécie que esta fêmea de Ardipithecus ramidus, deste “símio do chão” (ardi, em Afar, significa “chão”). E ainda milhares de ossos de dezenas de animais e de plantas, que permitiram reconstituir, com um pormenor sem precedentes, o habitat de Ardi e dos seus congéneres. (more…)

 

Gases com efeito de estufa suspendem ciclo natural de arrefecimento do Árctico 5 de Setembro de 2009

arrefecimento articoEstudo publicado na revista “Science”

Os gases com efeito de estufa trocaram as voltas ao Árctico e empurraram as suas temperaturas para os níveis mais altos dos últimos dois mil anos, suspendendo um ciclo natural de arrefecimento que deveria ter durado mais quatro mil, segundo um estudo internacional publicado hoje na revista “Science”.

A equipa de cientistas, financiada pela National Science Foundation, estudou as temperaturas sentidas nos últimos dois mil anos daquela região. Até agora apenas existiam dados relativos aos últimos 400 anos. Para isso analisou os sedimentos acumulados em cerca de 20 lagos, os anéis das árvores e os gelos. Estas informações eram tão detalhadas que foi possível reconstruir as temperaturas passadas década por década. Os resultados poderão acicatar o debate entre cépticos e não cépticos das alterações climáticas.

A poluição libertada pela acção humana pôs um fim ao ciclo de arrefecimento que começou há oito mil anos, quando o eixo de rotação da Terra sofreu uma oscilação que a distanciou do Sol. O Árctico passou, então, a receber menos energia solar durante o Verão. As temperaturas do Árctico durante esse período desceram a uma média de 0,2 graus Célsius por século. (more…)

 

Investigadores transferiram genoma alterado entre duas espécies de bactérias 24 de Agosto de 2009

ENVIRONMENT MICROBESBiologia sintética

Pôr as bactérias a trabalhar para nós é um dos grandes objectivos da biotecnologia. Investigadores do Instituto Craig Venter, em Maryland, deram mais um passo nesse sentido, ao conseguirem transplantar um genoma modificado de uma bactéria para outra, e esperam usar esta técnica para criar micróbios completamente sintéticos.21.08.2009 – PÚBLICO/ Reuters

Desde a produção de novas vacinas até à limpeza de resíduos tóxicos, há toda uma panóplia de trabalhos reservados para estes seres microscópicos, à medida que se consegue mexer cada vez mais na sua estrutura genética.

O artigo publicado hoje na revista “Science” descreve o que equipa de Carole Lartigue fez: retirou o genoma completo de uma bactéria, inseriu-o em leveduras – um óptimo modelo para se fazer experiências em biologia– alterou-lhe geneticamente o genoma. Finalmente, voltou a transplantá-lo para outra espécie de bactéria. (more…)

 

Descobertas novas espécies de vermes marinhos que lançam bombas bio-luminescentes 21 de Agosto de 2009

CoverPoss3Artigo publicado na “Science”
Um grupo de investigadores descobriu sete espécies que vivem nas profundidades oceânicas e que pertencem a um novo grupo de poliquetas, primos marinhos das minhocas. Muitas delas têm uma habilidade especial: lançam bolas verdes que brilham no escuro para, teorizam os investigadores, defenderem-se dos predadores.

A descoberta foi publicada num pequeno artigo na “Science”, por um grupo de investigadores do Scripps Institution of Oceanography, em São Diego, na Califórnia. Os vermes foram vistos pela primeira vez por aparelhos controlados remotamente que mergulharam a profundidades entre os 1800 e 3700 metros no Oceano Pacífico.

As sete novas espécies que pertencem aos anelídeos ( vermes com segmentos repetidos ao longo do corpo, que normalmente têm muitos pares de patas, onde se incluem as minhocas), têm entre os 1,8 e 9,3 centímetros e foram todas colocadas num novo género chamado Swima. A única espécie que já tem nome chama-se Swima bombiviridis, devido à capacidade de lançar bombas verdes. (more…)

 

Stress Crónico: O cérebro responde e procura a rotina 31 de Julho de 2009

StressArtigo publicado hoje na Science

A exposição a stress crónico expande umas regiões do cérebro e atrofia outras, mostra o estudo .

Oito neurocientistas portugueses estudaram as alterações nos circuitos do cérebro em situações de stress crónico. No grupo de ratos analisados, a experiência fez encolher e expandir zonas cerebrais e levou a que activassem o “botão da rotina”. Está tudo na Science
 Vamos colocá-lo a viver no segundo andar de um prédio. Pode ser? Pronto. Agora, imagine a sua rotina diária. Todos os dias, entra no elevador e carrega no botão 2 para chegar a casa. Porém, se mudar de edifício – suponha que está a visitar alguém -, vai escolher outro piso, adaptando-se a esta nova realidade. O problema é que, segundo o estudo agora publicado na revista Science por investigadores portugueses, quando está sujeito a uma situação de stress crónico o mais provável é que continue a carregar no botão 2, em qualquer elevador, de qualquer prédio. O seu cérebro mudou e agora responde com as acções de rotina.

“O que se percebeu é que, durante a exposição crónica a stress (ou seja, durante algum tempo), há mudanças estruturais no nosso cérebro”, resume Rui Costa, um dos autores do artigo publicado hoje na Science e coordenador do departamento de Neurobiologia da Acção da Fundação Champalimaud.

A equipa de neurocientistas estudou três regiões cerebrais que nunca antes tinham sido exploradas nesta associação entre o stress crónico e o processo de tomada de decisão. Procuraram os efeitos no estriado medial e no córtex pré-frontal (associados a comportamentos intencionais) e no estriado lateral (relacionado com os hábitos e comportamentos de rotina). E, segundo explica Rui Costa, nos nossos neurónios que parecem árvores cheias de ramos o stress crónico decepou galhos nas duas regiões ligadas aos comportamentos intencionais e fez nascer novos ramos no campo cerebral da rotina. Na luta de equilíbrios, a rotina parece sair vencedora. E, assim, carregamos no segundo andar de um qualquer elevador. (more…)