BioGeogilde Weblog

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A Terra estará a viver a sexta extinção em massa por causa das alterações do clima 17 de Fevereiro de 2011

Qual vai ser o impacto das alterações climáticas na árvore da vida, no final do século XXI? Pela primeira vez, um artigo, publicado amanhã, quinta-feira, pela equipa do biólogo Miguel Araújo na revista Nature, avaliou os efeitos das alterações do clima na árvore da vida. A Terra pode estar a viver a sexta extinção em massa, desta vez pela mão humana, se não forem travadas as emissões de gases com efeito de estufa.

Já houve cinco momentos de desaparecimento maciço de biodiversidade, causados por fenómenos geológicos catastróficos — como a colisão de um asteróide com a Terra há 65 milhões de anos, que ficou famosa porque, entre os desaparecidos, estavam os dinossauros. Agora, devido às alterações do clima pela acção humana, há a tese de que a Terra estará a viver a sexta extinção em massa.

Mas uma vaga de desaparecimentos tem de cumprir quatro condições para ser uma extinção em massa, explica Miguel Araújo, coordenador do pólo na Universidade de Évora do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos: tem de ocorrer de forma generalizada em todo o mundo; num período de tempo geológico curto; envolver grandes quantidades de espécies; e afectar espécies de um leque vasto de grupos biológicos. (more…)

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Há oito plantas em perigo crítico de extinção no país 18 de Maio de 2009

trevoNo Dia Mundial da Conservação das Plantas, os especialistas dizem que o País está a falhar na preservação dos recursos vegetais. Defendem a criação de um banco de sementes a nível nacional e a inclusão das espécies ameaçadas num Livro Vermelho de forma a assegurar a sua protecção. Portugal não está a cumprir a Convenção para a Biodiversidade.

Oito plantas, das quais sete só existem em Portugal, estão classificadas como espécies “em perigo crítico” de extinção no Plano Nacional de Conservação da Flora em Perigo, que tem como objectivo contribuir para a sua preservação.

Hoje, Dia Mundial da Conservação das Plantas, os especialistas defendem que a inclusão das espécies ameaçadas num Livro Vermelho e a criação de um banco de sementes que salvaguarde os recursos genéticos vegetais são duas medidas essenciais para conservar a flora portuguesa.

Das oito espécies de plantas “em perigo crítico”, apenas sete existem em território nacional onde ocupam uma área de distribuição reduzida. São elas a corriola- -do-espichel, Linaria ricardoi, narciso-do-mondego, miosótis-das- -praias, diabelha-do-algarve, diabelha-do-almograve e o álcar-do- -algarve. Também em extinção está o trevo-de-quatro-folhas, que existe em vários países mas tem vindo a regredir em Portugal.

O director do Departamento de Conservação e Gestão da Biodiversidade do Instituto de Conservação da Natureza (ICNB), Mário Silva, diz não estar previsto, para já, dar continuidade a este projecto de conservação, mas destaca que está a ser concluída uma lista de referência das espécies da flora portuguesa. A lista vai incluir todas as espécies vegetais, com e sem estatuto de protecção, e servirá de base a um Livro Vermelho das Plantas, considerado essencial para a conservação da flora.

A inexistência deste livro mostra que Portugal falha na conservação das plantas. Quem o diz são as especialistas Helena Freitas e Dalila Espírito Santo, responsáveis pelo Jardim Botânico da Universidade de Coimbra e pelo Jardim Botânico d’Ajuda, em Lisboa.

“Estamos na lista dos países que não cumprem a Convenção para a Biodiversidade porque nunca elaborámos um Livro Vermelho das Plantas, um documento essencial para identificar as espécies vegetais mais ameaçadas e desenvolver planos de gestão apropriados para a conservação no território nativo e fora dele”, assinalou Helena Freitas.

A nível europeu, só Portugal e a Macedónia não dispõem de um Livro Vermelho, diz Dalila Espírito Santo. A especialista criticou também a falta de apoios para a conservação de espécies fora do território nativo. Uma tarefa que compete, “essencialmente, aos jardins botânicos, através das colecções vivas ou dos bancos de sementes”.

Também neste caso Portugal negligencia os seus deveres. “É mais um incumprimento. Já devíamos ter criado um banco de sementes a nível nacional. Os que existem são pequenas iniciativas não concertadas, feitas com recursos avulsos”, afirma Helena Freitas.

O único banco de sementes de âmbito nacional, o Banco Português de Germoplasma Vegetal, é dedicado a espécies agrícolas com interesse alimentar.

A conversão das florestas em explorações agrícolas intensivas, incêndios, espécies exóticas e alterações climáticas são alguns dos factores críticos para a sobrevivência das plantas.

                                                                18-05-09 In Diário de Notícias