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Feliz São Valentim 14 de Fevereiro de 2012

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Amor: cria dependência como uma droga, mas sabe bem como o chocolate 14 de Fevereiro de 2011

A maravilhosa máquina cerebral destrói a mitologia do amor? Ainda não, talvez nunca. Mas já se sabe muito: as regiões activadas quando vemos a pessoa de quem gostamos ou os químicos libertados. E é tudo verdade: o estômago apertado, o coração acelerado, o vício, a intensidade do primeiro ano de relação. O amor é a droga. E hoje é Dia dos Namorados.

A base neurológica do amor romântico é o título insosso de um artigo científico publicado em 2000, que se propunha pela primeira vez olhar para o cérebro de 17 pessoas e ver quais as áreas que ficavam luminosas perantefotografias dos seus amados. Os investigadores Andreas Bartels e Semir Zekl, que na altura trabalhavam na University College de Londres, escolheram voluntários que diziam estar “verdadeiramente, profundamente, loucamente apaixonados” por alguém e resolveram submetê-los a uma máquina que forma imagens tridimensionais do cérebro por ressonância magnética.

Os observados eram analisados enquanto viam fotografias dos seus mais-que-tudo que iam passando entre fotografias de amigos do mesmo sexo que o/a companheiro/a. No cérebro, a afluência especial de oxigénio a determinadas regiões era registada pela máquina e denunciava pela primeira vez as redes complexas associadas ao amor e que permitem alguém dizer palavras como “verdadeiramente”, “profundamente” ou “loucamente” num contexto piroso, mas completamente justificável com um “deixa lá, ele/ela está apaixonado/a”. (more…)

 

Sentir borboletas na barriga 12 de Fevereiro de 2009

borboletasnabarriga1Como se explicam algumas sensações que descrevem os apaixonados

PEDRO ANTUNES PEREIRA

A primeira vez que o Mário conheceu Diana ficou irreconhecível. Suou, sentiu um friozinho no estômago, borboletas na barriga, e ainda por cima, os batimentos cardíacos aceleraram.

O Mário que não se assuste porque são reacções naturais do sistema nervoso, ainda que involuntárias. O que ele não deve saber é que no aparelho digestivo se alojam muitas celúlas nervosas.

O professor da Escola de Ciências da Saúde da Universidade do Minho, João Bessa, associa estas reacções à noção de paixão: “É um sentimento mais ligado a emoções básicas, enquanto o amor é um conceito mais vasto que engloba a formação de laços afectivos “.

A manifestação de emoções exteriores, como as referidas em cima, está associada à actuação do sistema nervoso autónomo.

“É a sua dimensão emocional, involuntária e não controlada que gera alterações físicas como o aumento do ritmo cardíaco, ou da tensão arterial; a pele fria e suada”.

Junte-se a dimensão cognitiva e podemos ter uma explicação: “Quando nos apaixonamos, o pensamento gira à volta do objecto do nosso interesse. No entanto, quando este tipo de pensamento se torna patológico, entramos no domínio das obsessões”.

João Bessa explica ainda que “a reactividade emocional varia de pessoa para pessoa e tem a ver com múltiplas características: a personalidade, o desenvolvimento pessoal e físico, o enquadramento familiar, social e laboral”.

A verdade é que as emoções são importantes “mecanismos de adaptação e mesmo de sobrevivência”, havendo uma função biológica “associada a esta necessidade de ligação aos outros”.

O professor universitário descansa os leitores: “Não há nenhum mecanismo para controlar estas emoções, que são involuntárias.

Não podemos fazer nada contra isso”. João Bessa acrescenta ainda que “há pessoas com maior sensibilidade para as alterações corporais induzidas pelas emoções do que outras que têm menor capacidade para interpretar as suas emoções”.

Um friozinhono estômago como reacção nervosa

A sensação é no mínimo estranha. Parece que o nosso estômago está “possuído” por borboletas, segundo uns. Ou é atravessado por um “friozinho”. Há uma explicação física do organismo para explicar esse estado.

Resulta da “activação do componente simpático do sistema nervoso autónomo no sistema digestivo que provoca estas sensações, ao qual se contrapõe o sistema parassimpático que tem acções contrárias”, explica ainda João Bessa.

Sabia que… Humor empurra paixão

Se está sempre bem-disposto fique a saber que a sua capacidade para se apaixonar pode ser maior do que aqueles leitores com uma disposição mais depressiva.

“Uma tonalidade do humor mais depressiva ou mais eufórica pode ser importante na criação de um relacionamento”, diz o professor universitário João Bessa. Por isso, às vezes, as primeiras impressões podem não ser as mais verdadeiras.

A caminho de uma explicação biológica está a noção de mono e de poligamia. “Estudos neurobiológicos recentes têm implicado a expressão de duas hormonas em diferentes regiões cerebrais na formação de relações afectivas estáveis e duradouras.”

Sabia que… Um arrepio na pele

“Dás-me um arrepio na pele” é uma das mais famosas frases de um das mais conhecidas canções de Marco Paulo. “Taras e Manias”, o tema em acusa, à parte, esta reacção volta a ter o sistema nervoso autónomo como responsável.

Mas quem está à espera de controlar ou treinar este tipo de emoções tire o cavalinho da chuva, explica o professor de Ciências da Saúde.

“Em princípio, não podemos treinar o sistema nervoso autónomo, mas há pessoas, por exemplo, que conseguem enganar os polígrafos. Mas isto exige um treino especializado porque é muito difícil enganar o sistema nervoso autónomo”.

                                                                                                                                         In Jornal de Notícias a 11/02/09