BioGeogilde Weblog

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O exoplaneta rochoso e quente Kepler 10-b 11 de Janeiro de 2011

A missão Kepler, da NASA, confirmou a descoberta de um planeta rochoso, chamado Kepler 10-b, que gira em torno da estrela Kepler 10. É o menor planeta alguma vez encontrado fora do nosso Sistema Solar.

O Kepler-10b é um planeta rochoso – com uma superfície em que seria possível alguém sentar-se, à semelhança, por exemplo, da Terra, Marte, Vénus ou Mercúrio –, 1,4 vezes maior que o nosso planeta mas muito mais quente. Está 20 vezes mais perto da estrela Kepler 10 que Mercúrio do Sol. Isso significa que as temperaturas diárias numa das suas faces, constantemente exposta à estrela, ultrapassam os 1370 graus Celsius – mais quente do que os mares de lava existentes no interior da Terra.

“A descoberta do Kepler-10b, um ‘mundo’ rochoso de pleno direito, é um marco significativo na procura de planetas semelhantes ao nosso”, indicou Douglas Hudgins, cientista do programa Kepler a partir do quartel-general da NASA, em Washington. “Apesar de este planeta não estar na chamada zona habitável [a região num sistema planetário onde água em estado líquido poderá existir na superfície do planeta], esta excitante descoberta mostra o tipo de achados tornados possíveis pela missão, com a promessa de que muito mais está ainda por vir”, disse. (more…)

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Galileu Galilei: O homem que abriu a janela pela qual continuamos a olhar o universo 27 de Agosto de 2009

galileuTelescópio foi apresentado há 400 anos
Se mais nada houvesse, as quatro luas de Júpiter descobertas em 1610 por Galileu Galilei teriam sido suficientes para deixá-lo célebre. A 7 de Janeiro desse ano, o cientista, original de Pisa, olhou através de um telescópio fabricado por si – com mais qualidade do que o que tinha apresentado ao Senado de Veneza meses antes – e viu quatro luzinhas que giravam à volta de Júpiter e que pareciam estrelas.

A descoberta, como sempre, não lhe bastou e Galileu passou a fazer observações cuidadosas noite após noite. Com registos, esquemas, rigor, persistência. “Com Galileu, cada facto extraordinário que ele descobria passava imediatamente a objecto de estudo sistemático. É isto que é genial nele”, lembra Henrique Leitão, investigador em História da Ciência da Universidade de Lisboa.

O estudo produziu frutos: as luzes, afinal, eram os primeiros quatro dos mais de 60 satélites que estão amarrados ao planeta gigante. As implicações da descoberta não tardaram e a curiosidade de Galileu estava apenas a começar a abanar o mundo. Muito mais estava para vir.

Um ano antes, Galileu era apenas um professor menor da Universidade de Pádua, com 45 anos, amante da mecânica, com dificuldades financeiras por ter de sustentar a família, longe de imaginar que um objecto baseado em princípios ópticos fosse transformá-lo num revolucionário da Astronomia. Nessa altura, o telescópio começava a aparecer como curiosidade em algumas feiras na Europa, depois de ter sido inventado na Holanda, em Outubro de 1608. (more…)

 

Lua de Saturno expele sal, resta saber se vem de um oceano 29 de Junho de 2009

luasaturnoSaturno encerra um novo dilema científico: Enceladus, um dos vários satélites que giram à volta do planeta, tem ou não um oceano salgado por baixo da camada de gelo que cobre o pólo sul? Não se sabe, mas há sal a sair do satélite que alimenta um dos anéis do planeta, assegura um dos dois artigos publicados hoje na revista Nature sobre este tema.

Além de Europa — uma lua de Júpiter —, Marte e Terra, está provado que Enceladus também contém água. A lua está coberta por gelo, mas no pólo sul apresenta quatro fracturas com 120 quilómetros de onde saem jactos de vapor de água com partículas de gelo, atirados a uma altitude de milhares de quilómetros e que alimentam um dos anéis de Saturno — o E, o mais exterior, difuso e com maior diâmetro.

Uma possível explicação para a origem destes jactos diz que a água provém de um oceano situado abaixo da camada de gelo. Este oceano, ao longo do tempo, teria ganho uma composição salina devido às reacções químicas que se vão dando entre a água e as rochas, como acontece com na Terra. Com esta teoria podem reunir-se as várias condições para existir um habitat compatível com a vida: uma fonte de calor causada pela força gravítica entre Saturno e Enceladus, um ambiente químico rico em compostos e finalmente água abundante — o oceano salgado.

Mas os dois artigos da Nature parecem contradizer-se. Nicholas Schneider, da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos, e os seus colegas, mediram através de um telescópio terrestre o espectro de emissão do sódio vindo dos jactos de Enceladus. O resultado ficou muito abaixo das concentrações esperadas para uma composição química vinda de um oceano subterrâneo salgado.

Já a equipa de Postberg, da Univesidade de Heidelberg, na Alemanha, identificou um novo tipo de partículas do anel E ricas em sódio, a partir de informação recolhida pela sonda Cassini, que tem estado em órbita de Saturno desde 2004. Estas partículas, adianta o artigo, compõem só seis por cento do gelo existente no anel, que é proveniente de Enceladus. Segundo os investigadores, as partículas ricas em sódio viriam directamente do oceano salgado, enquanto o resto do gelo, mais de 90 por cento, seria formado a partir da condensação do vapor de água dos jactos.

Uma das possibilidades é a existência de cavernas profundas com água salgada, onde a evaporação se dá lentamente e o vapor contém pouco sal. Mas ainda há muito a saber.

24.06.2009 PÚBLICO

 

Astrónomos detectam pela primeira vez indícios de planeta fora da Via Láctea 16 de Junho de 2009

exoplanetaUma equipa de astrónomos diz ter detectado indícios de um planeta fora da Via Láctea, na galáxia de Andrómeda. A investigação assinala o que poderá ser um planeta gigante com seis vezes a massa de Júpiter ou uma anã-castanha (uma estrela falhada, que não tinha matéria suficiente para se acender, desencadeando a fusão nuclear).

O trabalho será publicado na revista “Monthly Notices of the Royal Astronomical Society” (MNRAS) e foi feito por cientistas do Instituto nacional de Física de Nuclear (INFN) em Itália e de colaboradores da Suíça, Espanha e Rússia, noticia o site da BBC.

Já foram identificados cerca de 350 planetas extra-solares na nossa galáxia, a Via Láctea, desde 1995. A novidade agora é a possibilidade de espreitar para outras galáxias, sublinhou à BBC Francesco De Paolis, do INFN. “Hoje já dispomos de tecnologia para detectar planetas com a massa de Júpiter e até mesmo planetas mais pequenos em outras galáxias”, comentou. “É uma coisa excepcional”.

A descoberta deste possível planeta foi feita usado um método que analisa o efeito de produzido pela passagem de corpos espaciais entre um observador e uma estrela ou planeta distante. Se forem muito maciços, estes objectos podem causar distorções, já que a gravidade do objecto que está no meio faz curvar a luz. Mas a técnica usada pelos cientistas aproveita-se do efeito contrário: há um aumento notável na intensidade da luz observada quando um objecto menos maciço passa entre o observador e uma estrela ou planeta distante.

Mas não é possível prever quando acontecerá esta passagem de um objecto menos maciço entre o observador e a estrela – tudo pode durar apenas algumas horas ou até minutos. Por esse motivo, este estudo não foi uma observação directa: baseou-se na análise exaustiva de observações feitas em 2004 pela colaboração internacional Point-Agape, que fez um estudo exaustivo do que se passava naquela altura, naquele ponto do céu.

Os dados observacionais da galáxia de Andrómeda foram, então, relacionados com um programa informático desenvolvido pela equipa, para determinar se encontrariam alguma “curva de luz” sugestiva de um planeta em torno de uma estrela.

Conseguiram-no, mas confirmar isto pelo mesmo método é que será difícil, pois estas passagens de objectos são raras e, claro imprevisíveis. Ainda assim, partindo desta descoberta, os astrónomos vão tentar trabalhar com um telescópio maior e continuar as suas observações para encontrarem outros candidatos.
14.06.2009 – 12h43 PÚBLICO