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Astrónomos detectam pela primeira vez indícios de planeta fora da Via Láctea 16 de Junho de 2009

exoplanetaUma equipa de astrónomos diz ter detectado indícios de um planeta fora da Via Láctea, na galáxia de Andrómeda. A investigação assinala o que poderá ser um planeta gigante com seis vezes a massa de Júpiter ou uma anã-castanha (uma estrela falhada, que não tinha matéria suficiente para se acender, desencadeando a fusão nuclear).

O trabalho será publicado na revista “Monthly Notices of the Royal Astronomical Society” (MNRAS) e foi feito por cientistas do Instituto nacional de Física de Nuclear (INFN) em Itália e de colaboradores da Suíça, Espanha e Rússia, noticia o site da BBC.

Já foram identificados cerca de 350 planetas extra-solares na nossa galáxia, a Via Láctea, desde 1995. A novidade agora é a possibilidade de espreitar para outras galáxias, sublinhou à BBC Francesco De Paolis, do INFN. “Hoje já dispomos de tecnologia para detectar planetas com a massa de Júpiter e até mesmo planetas mais pequenos em outras galáxias”, comentou. “É uma coisa excepcional”.

A descoberta deste possível planeta foi feita usado um método que analisa o efeito de produzido pela passagem de corpos espaciais entre um observador e uma estrela ou planeta distante. Se forem muito maciços, estes objectos podem causar distorções, já que a gravidade do objecto que está no meio faz curvar a luz. Mas a técnica usada pelos cientistas aproveita-se do efeito contrário: há um aumento notável na intensidade da luz observada quando um objecto menos maciço passa entre o observador e uma estrela ou planeta distante.

Mas não é possível prever quando acontecerá esta passagem de um objecto menos maciço entre o observador e a estrela – tudo pode durar apenas algumas horas ou até minutos. Por esse motivo, este estudo não foi uma observação directa: baseou-se na análise exaustiva de observações feitas em 2004 pela colaboração internacional Point-Agape, que fez um estudo exaustivo do que se passava naquela altura, naquele ponto do céu.

Os dados observacionais da galáxia de Andrómeda foram, então, relacionados com um programa informático desenvolvido pela equipa, para determinar se encontrariam alguma “curva de luz” sugestiva de um planeta em torno de uma estrela.

Conseguiram-no, mas confirmar isto pelo mesmo método é que será difícil, pois estas passagens de objectos são raras e, claro imprevisíveis. Ainda assim, partindo desta descoberta, os astrónomos vão tentar trabalhar com um telescópio maior e continuar as suas observações para encontrarem outros candidatos.
14.06.2009 – 12h43 PÚBLICO

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Cientistas anunciam descoberta do mais pequeno exo-planeta 22 de Abril de 2009

ng1141359O português Nuno Santos, do Centro de Astrofísica da Universidade do Porto, faz parte da equipa europeia que descobriu o Gliese 581e. Com quase duas vezes a massa da Terra, encontra-se a apenas 20,5 anos-luz na direcção da constelação de Balança. Contudo, está muito próximo da sua estrela para poder ter água líquida, condição necessária para albergar vida.

É o planeta extra-solar mais parecido com a Terra e foi descoberto por uma equipa de cientistas liderada pelo suíço Michel Mayor, à qual pertence o português Nuno Santos, do Centro de Astrofísica da Universidade do Porto. O Gliese 581e podia ser o “Santo Graal” dos astrónomos não fosse estar demasiado próximo da sua estrela, ou seja, fora da Zona de Habitabilidade.

“O Santo Graal é a detecção de um planeta rochoso, semelhante à Terra e dentro da Zona de Habitabilidade – a região em torno da estrela com as condições necessárias para existir água líquida na superfície”, disse Michel Mayor, do Observatório de Grenoble. O suíço foi o primeiro a descobrir um planeta fora do Sistema Solar, o Pegasi 51b, em 1995.

O planeta “e”, no sistema Gliese 581 que está a apenas 20,5 anos-luz na direcção da constelação de Balança, tem quase o dobro da massa da Terra. Mas mesmo assim é o mais pequeno alguma vez descoberto. O Pegasi 51b tinha uma massa 80 vezes superior.

“A descoberta deste novo planeta vem demonstrar que o sonho de encontrar novas Terras está cada vez mais próximo. Com a experiência adquirida e os excelentes resultados obtidos até agora, estamos convictos que a nova geração de detectores nos permitirá ir mais longe”, disse Nuno Santos, segundo o comunicado divulgado pelo Centro de Astrofísica da Universidade do Porto.

O Gliese 581e necessita apenas de 3,15 dias para completar uma órbita em torno da estrela, o que significa que este planeta rochoso está demasiado próximo para permitir que haja água em estado líquido – factor essencial para ter vida.

Contudo, na Zona de Habitabilidade da mesma estrela está um segundo planeta, o Gliese 581d, que “será o primeiro e o mais sério candidato a planeta oceânico”, afirmou outro membro da equipa, Stephane Udry. Com uma massa sete vezes superior à da Terra dá a volta à estrela em 66,8 dias e é provavelmente muito grande “para ser exclusivamente rochoso”. Contudo, os cientistas pensam que se trata de “um planeta gelado que migrou para mais perto da estrela”, o que significa que poderá estar coberto por um vasto oceano.

Segundo o comunicado, estes planetas foram descobertos medindo as ínfimas deslocações da estrela causadas pela força de gravidade dos planetas à medida que se deslocam em seu redor. Essas deslocações podem ser de apenas sete quilómetros por hora, o equivalente a uma pessoa a andar apressadamente. A descoberta só foi por isso possível graças à precisão e estabilidade do espectrógrafo HARPS, que está instalado no telescópio de 3,6 metros do Observatório Europeu do Sul, em La Silla, no Chile

“Com condições de observação semelhantes, é possível encontrar um planeta parecido com a Terra dentro da zona habitável de uma estrela vermelha anã”, disse Xavier Bonfils, do Observatório de Grenoble. Mayor foi mais longe ao dizer à BBC que tal descoberta será feita dentro de um a dois anos.

                                                                                                       In Diário de Notícias, 22/04/09