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Dez passos para entrar bem em 2011 3 de Janeiro de 2011

Adeus, 2010; olá, ano de crise mais do que anunciada. Três especialistas, de áreas tão diferentes como a Nutrição e o Exercício, a Psicologia Positiva e a Medicina Sexual, deixam as suas “dicas” para sermos bem-dispostos e aproveitarmos a vida, mesmo num ano que vai ser difícil. Tudo coisas simples, que podem começar literalmente pelos pés, para se acabar com uma cabeça mais feliz.

Conte os passos que dá

1 Depois do bacalhau, do peru, do bolo-rei, das fatias douradas ou das azevias da época natalícia, nada melhor do que começar o novo ano a mexer-se. Pedro Teixeira, professor de Nutrição, Exercício e Saúde da Faculdade de Motricidade Humana de Lisboa, sugere que, para entrar em 2011 com o pé direito, compre um pedómetro. E, com este aparelho que mede os passos dados ao longo de 24 horas, que é barato e pode usar-se à cintura por baixo da roupa, aprenda a distinguir os dias sedentários daqueles que são fisicamente activos.

“Dez mil passos por dia é o mínimo que se aconselha. Parece muito, mas não é. Quando passamos o dia sentados, damos três mil passos”, explica Pedro Teixeira. “Cinco mil é um dia normal, mas pouco activo. Uma caminhada de 20 minutos é suficiente para ultrapassar os dez mil”, acrescenta. “Um pedómetro é um bom instrumento para aumentar a consciência da actividade física que fazemos. Os mais baratos custam oito a dez euros.”

Incluir actividade física no dia-a-dia, sublinha, traz bem-estar, boa disposição e vai permitir enfrentar melhor o novo ano. E, além dos benefícios fisiológicos e psicológicos que tem, enquanto a praticamos podemos aproveitar para conviver com outras pessoas, por exemplo passeando na natureza ou à beira-mar. Mais: é gratuito. “É conhecido o potencial do exercício físico para nos acalmar, melhorar o humor – é recomendado a quem tem tendência para se deprimir – e proteger contra o stress. Há muitas pessoas que praticam exercício físico meia hora antes de ir para o trabalho. E resulta mesmo.” (more…)

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Sentir borboletas na barriga 12 de Fevereiro de 2009

borboletasnabarriga1Como se explicam algumas sensações que descrevem os apaixonados

PEDRO ANTUNES PEREIRA

A primeira vez que o Mário conheceu Diana ficou irreconhecível. Suou, sentiu um friozinho no estômago, borboletas na barriga, e ainda por cima, os batimentos cardíacos aceleraram.

O Mário que não se assuste porque são reacções naturais do sistema nervoso, ainda que involuntárias. O que ele não deve saber é que no aparelho digestivo se alojam muitas celúlas nervosas.

O professor da Escola de Ciências da Saúde da Universidade do Minho, João Bessa, associa estas reacções à noção de paixão: “É um sentimento mais ligado a emoções básicas, enquanto o amor é um conceito mais vasto que engloba a formação de laços afectivos “.

A manifestação de emoções exteriores, como as referidas em cima, está associada à actuação do sistema nervoso autónomo.

“É a sua dimensão emocional, involuntária e não controlada que gera alterações físicas como o aumento do ritmo cardíaco, ou da tensão arterial; a pele fria e suada”.

Junte-se a dimensão cognitiva e podemos ter uma explicação: “Quando nos apaixonamos, o pensamento gira à volta do objecto do nosso interesse. No entanto, quando este tipo de pensamento se torna patológico, entramos no domínio das obsessões”.

João Bessa explica ainda que “a reactividade emocional varia de pessoa para pessoa e tem a ver com múltiplas características: a personalidade, o desenvolvimento pessoal e físico, o enquadramento familiar, social e laboral”.

A verdade é que as emoções são importantes “mecanismos de adaptação e mesmo de sobrevivência”, havendo uma função biológica “associada a esta necessidade de ligação aos outros”.

O professor universitário descansa os leitores: “Não há nenhum mecanismo para controlar estas emoções, que são involuntárias.

Não podemos fazer nada contra isso”. João Bessa acrescenta ainda que “há pessoas com maior sensibilidade para as alterações corporais induzidas pelas emoções do que outras que têm menor capacidade para interpretar as suas emoções”.

Um friozinhono estômago como reacção nervosa

A sensação é no mínimo estranha. Parece que o nosso estômago está “possuído” por borboletas, segundo uns. Ou é atravessado por um “friozinho”. Há uma explicação física do organismo para explicar esse estado.

Resulta da “activação do componente simpático do sistema nervoso autónomo no sistema digestivo que provoca estas sensações, ao qual se contrapõe o sistema parassimpático que tem acções contrárias”, explica ainda João Bessa.

Sabia que… Humor empurra paixão

Se está sempre bem-disposto fique a saber que a sua capacidade para se apaixonar pode ser maior do que aqueles leitores com uma disposição mais depressiva.

“Uma tonalidade do humor mais depressiva ou mais eufórica pode ser importante na criação de um relacionamento”, diz o professor universitário João Bessa. Por isso, às vezes, as primeiras impressões podem não ser as mais verdadeiras.

A caminho de uma explicação biológica está a noção de mono e de poligamia. “Estudos neurobiológicos recentes têm implicado a expressão de duas hormonas em diferentes regiões cerebrais na formação de relações afectivas estáveis e duradouras.”

Sabia que… Um arrepio na pele

“Dás-me um arrepio na pele” é uma das mais famosas frases de um das mais conhecidas canções de Marco Paulo. “Taras e Manias”, o tema em acusa, à parte, esta reacção volta a ter o sistema nervoso autónomo como responsável.

Mas quem está à espera de controlar ou treinar este tipo de emoções tire o cavalinho da chuva, explica o professor de Ciências da Saúde.

“Em princípio, não podemos treinar o sistema nervoso autónomo, mas há pessoas, por exemplo, que conseguem enganar os polígrafos. Mas isto exige um treino especializado porque é muito difícil enganar o sistema nervoso autónomo”.

                                                                                                                                         In Jornal de Notícias a 11/02/09