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Estudo dos lagos nos Himalaias quer medir risco de inundações 24 de Junho de 2009

HimalaiasAlterações Climáticas afectam as montanhas mais altas do mundo

Um grupo de investigadores começou a estudar os lagos formados pelo degelo dos glaciares dos Himalaias para obter dados sobre o risco de inundações que estas massas de água podem provocar. O primeiro a ser estudado foi o Imja na região do Evereste. A investigação ainda vai no início mas já se notam mudanças que podem estar associadas às alterações climáticas.O gelo dos Himalaias alimenta a rios asiáticos importantes como o Ganges ou o Indo. Estudos anteriores feitos a partir de simulações informáticas mostram que estes rios podem aumentar de tamanho provocando inundações devido ao degelo causado pelas alterações climáticas.

“A área do lago tem vindo a ficar maior e há algumas mudanças nas extremidades das moreias [locais onde se acumulam depósitos]”, disse à BBC News Pradeep Mool, um dos especialistas do International Centre for Integrated Mountain Development (ICIMOD). O instituto, que também é responsável por este estudo, é formado por oito países asiáticos da região dos Himalaias e dedica-se a investigar o impacto que a cordilheira pode ter nas populações humanas locais. O investigador acrescentou que o aumento do tamanho do lago não é alarmante.

O Imja situa-se a cinco mil metros de altitude, nasceu no final dos anos de 1950 devido ao descongelamento de um glaciar. O lago foi o primeiro a ser visitado, em Maio. Seguem-se outros do Nepal. “Começámos pelo Nepal, mas pretendemos estender os estudos para outros países que ficam nos Himalaias”, disse à BBC News Arun Bhakta Shretha, um especialista em alterações climáticas também do ICIMOD. “Esta é parte de uma avaliação regional das inundações que estes lagos podem causar”, referiu.

As alterações climáticas estão por trás desta preocupação. Há 20 anos que não existe uma monitorização no local da evolução dos lagos da cordilheira. Todos os dados que têm sido fabricados foram a partir de simulações informáticas ou através de registos de satélites. Estes estudos mostram por exemplo que a temperatura média das montanhas tem aumentado 0,06 graus célsius por ano.

Só na região do Nepal, dos 3300 glaciares que existem, 2300 têm lagos. Nos últimos 70 ano, ocorreram 30 inundações causadas pelo galgar das águas destes lagos. Appa Sherpa, um sherpa que já fez 19 viagens ao Evereste, conta que viu água líquida acima dos oito mil metros, durante a última escalada em Maio. “Fiquei chocado ao ver água líquida a essa altitude, nunca vira nada sem ser neve e gelo.”

Segundo Arun Bhakta Shretha o objectivo do estudo é compreender os riscos a partir de um olhar que abrange os aspectos físicos, económicos e sociais. “Estamos a tentar ligar a ciência, a política e a atenção do público para que as nossas descobertas sejam úteis para a sociedade.”

A longo prazo, os cientistas defendem que os rios podem secar quase totalmente durante a época seca, devido ao retrocesso contínuo dos glaciares, deixando milhões de pessoas sem água na região. Estes estudos poderão ajudar a estimar quando é que isto pode vir a ocorrer.

23.06.2009 –  PÚBLICO

 

Descoberto local onde se formaram os primeiros gelos do continente mais frio do mundo 8 de Junho de 2009

 

Região da Antárctida com topografia parecida com os Alpes

 
ANTARCTICA LIFE
 
 
 
 

Há 14 milhões de anos os flocos de neve que caiam nas montanhas de Gamburtsev, na Antárctida, deixaram começaram a formar um pequeno glaciar que transformou a paisagem da Antárctida na cor que conhecemos hoje, branca.

Uma equipa de investigadores foi até àquela região inóspita e através de ondas de rádio conseguiram construir uma imagem da topografia e determinar onde é que se formaram os primeiros glaciares do continente, o estudo foi publicado hoje na versão online da revista “Nature”.

“Este é o maior reservatório de gelo da Terra, e é o local da Terra que menos se conhece”, disse Fausto Ferraccioli, cientista do British Antarctic Survey, envolvido num noutro projecto internacional para estudar a região. O investigador explicou que as elevações e a localização das montanhas de Gamburtsev tornam o “local ideal” para a formação do primeiro gelo.

O primeiro autor do estudo, Sun Bo do Instituto de Investigação Polar da China, e os seus colegas, percorreram mais de 1200 quilómetros do Centro de Investigação que fica no extremo Este do continente, até ao meio das montanhas, num local denominado Dome A. Nessa região, a equipa utilizou o radar para medir um quadrado de 30 quilómetros de lado e determinou que a paisagem, há 14 milhões de anos, era parecida com a cordilheira dos Alpes. A equipa chegou à conclusão que neste último período de tempo, a camada de gelo não se alterou.

O radar emite ondas para o chão que quando chegam à interface entre o gelo e a montanha são reflectidas devido à mudança do material. Como os investigadores sabem a velocidade das ondas podem, através do tempo que a onda demora a ir e vir, medir a espessura do gelo.

Desta forma conseguem ter uma ideia da topografia. “O que é perfeito, porque permite-nos perceber como é que o vale funcionaria quando estava preenchido por gelo, e como é que a água escorria quando não existia gelo nenhum”, disse à BBC News Martin Siegert, director da escola de geociências na Universidade de Edimburgo, que também esteve envolvido no estudo.

No final do Eocénico, há 40 milhões de anos, a diminuição da temperatura da Terra foi o arranque para o “congelamento” da Antárctida, a movimentação das placas tectónicas que “chutaram” o continente para o Pólo Sul e a formação da corrente circumpolar antárctica tornaram o clima do continente no que é agora.

Por cima das montanhas de Gamburtsev existem três quilómetros de gelo. “É necessária uma temperatura média anual de três graus célsius para que os glaciares se formem como se formaram”, disse Siegert. “Hoje, a temperatura média anual nesta região é de 60 graus negativos. Por isso acreditamos que estas montanhas são uma relíquia [devido à erosão glacial] da Antárctida antes da camada de gelo estar no lugar”

O estudo também é revelante para se compreender a estabilidade do gelo. “É uma parte crítica do sistema terrestre,” disse Ferraccioli. “Se todo o gelo derretesse, o nível médio do mar subiria cerca de 60 metros.”

“Tem havido muitas alterações climáticas ao longo destes 14 milhões de anos”, disse Siegert. “O que podemos dizer sobre este local no meio da Antárctica é que nada mudou.” Mas o investigador avisa que se o mundo continuar a emitir dióxido de carbono como tem feito até agora, nos próximos mil anos o continente deixará de ter gelo.

“Isto põe a camada de gelo no contexto do clima global e quais são as condições necessárias para uma camada de gelo aumentar,” explicou Siegert. “O que é preocupante é que parece que nos dirigimos para concentrações de dióxido de carbono consistentes com alturas em que havia muito menos gelo.”

03.06.2009 – 23h26 PÚBLICO