BioGeogilde Weblog

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Inuk Tinha Olhos Castanhos e Uma Propensão Para a Calvíce 11 de Fevereiro de 2010

Foi graças a um tufo de cabelo, conservado durante milénios no permafrost do Árctico, que uma equipa internacional de investigadores conseguiu, pela primeira vez, reconstituir 80 por cento do genoma de um ser humano pré-histórico e determinar alguns dos seus traços físicos, bem como alguns elementos da origem geográfica dos seus antepassados.

Eske Willerslev, da Universidade de Copenhaga, e os seus colegas, que publicam os seus resultados na revista Nature, baptizaram com o nome Inuk este velho humano – que os seus genes dizem ser do sexo masculino. Inuk, que viveu há uns quatro mil anos na Gronelândia, pertencia à cultura saqqaq, hoje extinta, conhecida como sendo a primeira a ter habitado aquela região do mundo. Trata-se de um povo sobre o qual pouco se sabe, porque pouco resta da sua cultura.

Os restos de cabelo – e também de osso – provêm da localidade de Qeqertasussuk. Mas, ironicamente, como conta também na Nature Rex Dalton, num perfil de Willerslev, não foi ele que os encontrou. O cientista já tinha procurado, em 2006, cabelos humanos no permafrost da tundra do norte da Gronelândia. Mas em vão. Qual não terá sido o seu espanto quando, dois anos mais tarde, deu com o cabelo de Inuk… numa cave do Museu de História Natural da Dinamarca, a escassos quarteirões de distância do seu próprio laboratório. Estava lá guardado há 20 anos. (more…)

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Gases com efeito de estufa suspendem ciclo natural de arrefecimento do Árctico 5 de Setembro de 2009

arrefecimento articoEstudo publicado na revista “Science”

Os gases com efeito de estufa trocaram as voltas ao Árctico e empurraram as suas temperaturas para os níveis mais altos dos últimos dois mil anos, suspendendo um ciclo natural de arrefecimento que deveria ter durado mais quatro mil, segundo um estudo internacional publicado hoje na revista “Science”.

A equipa de cientistas, financiada pela National Science Foundation, estudou as temperaturas sentidas nos últimos dois mil anos daquela região. Até agora apenas existiam dados relativos aos últimos 400 anos. Para isso analisou os sedimentos acumulados em cerca de 20 lagos, os anéis das árvores e os gelos. Estas informações eram tão detalhadas que foi possível reconstruir as temperaturas passadas década por década. Os resultados poderão acicatar o debate entre cépticos e não cépticos das alterações climáticas.

A poluição libertada pela acção humana pôs um fim ao ciclo de arrefecimento que começou há oito mil anos, quando o eixo de rotação da Terra sofreu uma oscilação que a distanciou do Sol. O Árctico passou, então, a receber menos energia solar durante o Verão. As temperaturas do Árctico durante esse período desceram a uma média de 0,2 graus Célsius por século. (more…)

 

Subida das temperaturas vai acelerar emissão de CO2 armazenado nas turfeiras do Norte do planeta 29 de Julho de 2009

Filed under: Notícias da Ciência — Prof. Cristina Vitória @ 11:31
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turfeirasEstudo publicado na revista “Nature”

 Enquanto o mundo negoceia um plano de acção mundial contra as alterações climáticas, os cientistas trabalham para perceber melhor o fenómeno. Hoje, uma equipa de investigadores de três países divulgou que um aumento de 1ºC vai aumentar em mais de metade o CO2 emitido pelas turfeiras nas regiões nórdicas. O estudo foi publicado na revista “Nature”. 

A equipa de cientistas holandeses, suecos e britânicos mostrou que “um aumento de 1ºC vai acelerar a respiração de todo aquele ecossistema [as turfeiras] em média em 60 por cento na Primavera e 52 por cento no Verão. Este efeito durará, pelo menos, oito anos”.

Os cientistas estimam que durante as próximas décadas, o aumento de 1ºC levará as turfeiras boreais a emitir anualmente entre 38 e cem milhões de toneladas de CO2. Ora, a meta de redução das emissões de gases com efeito de estufa (GEE) no conjunto da União Europeia é de 92 milhões de toneladas por ano, lembram os investigadores.

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Cientistas voltam a insistir no “risco acrescido” de alterações climáticas “irreversíveis” 19 de Junho de 2009

climaNecessidade de reduzir significativamente as emissões de GEE
A humanidade será confrontada com um “risco acrescido” de alterações climáticas “abruptas e irreversíveis” se não conseguir reduzir, significativamente, as suas emissões de gases com efeito de estufa (GEE), alertou hoje um relatório de síntese redigido por 12 cientistas, a partir da reunião de dois mil investigadores de 80 países, que estiveram reunidos em Março em Copenhaga.

“As observações recentes mostram que numerosos aspectos do clima estão perto do limite máximo das projecções do IPCC (Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas)”, indica este relatório, publicado a seis meses da conferência de Copenhaga, em Dezembro. Daqui deverá sair o sucessor do Protocolo de Quioto, que expira em 2012.

Aumento da temperatura média à superfície da Terra, degelo dos glaciares, subida do nível dos mares, acidificação dos oceanos: numerosos indicadores climáticos já se situam para lá das flutuações naturais nas quais se desenvolveram as sociedades contemporâneas, notam os cientistas.

“Se as emissões não forem controladas, numerosas tendências vão, provavelmente, acelerar, provocando um risco acrescido de alterações climáticas abruptas e irreversíveis”, salienta este documento.

Os especialistas do clima lembram que “uma das evoluções mais espectaculares” desde o último relatório do IPCC, publicado em 2007, é a rápida redução dos gelos à superfície do oceano Árctico, no final de cada Verão.

Mas se o relatório salienta a urgência de uma redução das emissões de GEE, criticando as metas fracas para 2020, não toma posição sobre os compromissos já fixados durante a negociação mundial em curso.

Os objectivos para 2020 anunciados até agora pelos grandes países industrializados representam uma redução total de emissões na ordem dos oito a 14 por cento, a níveis de 1990. No entanto, a comunidade científica recomenda uma redução de 25 a 40 por cento para limitar o aumento das temperaturas do planeta nos 2ºC.

 18.06.2009   PÚBLICO

 

Degelo nos pólos está próximo de ponto sem retorno 23 de Março de 2009

Filed under: Notícias da Ciência — Prof. Cristina Vitória @ 14:09
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degeloc381rtico1A perda de gelo “milenário” nos pólos pode estar a atingir “um ponto sem retorno”, criando um efeito dominó em que o gelo se derrete cada vez mais rapidamente, afectando outros componentes que regulam o ambiente, alerta um especialista.

A opinião é do biólogo português Carlos Duarte, do Conselho Superior de Investigações Superiores (CSIC) de Espanha e que está actualmente a bordo no navio oceanográfico espanhol “Hespérides”, que se encontra na Corrente de Humboldt, ao largo da costa chilena.

Numa entrevista realizada pela Internet, o especialista do Instituto Mediterrâneo de Investigações Avançadas (IMEDEA) explicou alguns dos resultados da última campanha polar, cujas expedições científicas acabam de terminar.

O projecto em curso estuda o impacto de matéria orgânica e contaminantes no Árctico e Antárctico e os seus efeitos nas alterações climáticas.

 

Referindo-se às experiências que viveu na Antártida, Carlos Duarte declarou-se “surpreendido com a rapidez com que o gelo está a desaparecer no Mar de Bellinghausen e com o pouco gelo que está no Mar de Weddell”.

Igualmente surpreendente, referiu, são as altas temperaturas do oceano na zona.

“O gelo que se está a fundir no Árctico e na Antártida é milenário e a formação de gelo, para que seja equivalente (em espessura ou volume) ao perdido, demorará milhares ou dezenas de milhares de anos”, disse.

“Por isso, a perda de gelo que está a ocorrer faz parte de um processo irreversível que se encontra próximo de um ponto sem retorno”, sublinhou.

                                                                                                                                   13/03/09,  In Diário Digital / Lusa