BioGeogilde Weblog

Blog de apoio e complemento às aulas de Ciências Naturais, Biologia Geologia e Biologia

Em 2050 as plantas começarão a florir ainda no Inverno 10 de Setembro de 2009

PrimaveraNovo estudo prevê chegada da Primavera um mês antes

Dentro de 40 anos, o Inverno vai deixar de ser branco. Pereiras e cerejeiras, ranúnculos e gerânios deverão começar a florir no final de Janeiro, quando a estação do frio ainda não terminou. Pelo menos oficialmente. Um novo estudo concluiu que em 2050, a Primavera vai chegar um mês mais cedo do que é tradicional.

Malcolm Clark, da Universidade Monash (Austrália), e Roy Thompson, da Universidade de Edimburgo, olharam com atenção para os registos das plantas dos Reais Jardins Botânicos de Edimburgo (RGBE) desde 1850 e para os registos meteorológicos relativos a Edimburgo desde 1775. O seu estudo, noticiado hoje pelo jornal “The Guardian”, conclui que o “calendário botânico” já mudou para inúmeras espécies de plantas da colecção do RGBE, recolhidas ao longo de 150 anos em vários pontos do globo. Hoje, as plantas estão a florescer mais cedo porque as temperaturas estão, lentamente, a aumentar. Em zonas marítimas, por cada aumento de 1 grau Célsius, as plantas podem florir 16 dias antes. A culpa, dizem, é da subida das temperaturas médias das águas dos oceanos. (more…)

 

Gases com efeito de estufa suspendem ciclo natural de arrefecimento do Árctico 5 de Setembro de 2009

arrefecimento articoEstudo publicado na revista “Science”

Os gases com efeito de estufa trocaram as voltas ao Árctico e empurraram as suas temperaturas para os níveis mais altos dos últimos dois mil anos, suspendendo um ciclo natural de arrefecimento que deveria ter durado mais quatro mil, segundo um estudo internacional publicado hoje na revista “Science”.

A equipa de cientistas, financiada pela National Science Foundation, estudou as temperaturas sentidas nos últimos dois mil anos daquela região. Até agora apenas existiam dados relativos aos últimos 400 anos. Para isso analisou os sedimentos acumulados em cerca de 20 lagos, os anéis das árvores e os gelos. Estas informações eram tão detalhadas que foi possível reconstruir as temperaturas passadas década por década. Os resultados poderão acicatar o debate entre cépticos e não cépticos das alterações climáticas.

A poluição libertada pela acção humana pôs um fim ao ciclo de arrefecimento que começou há oito mil anos, quando o eixo de rotação da Terra sofreu uma oscilação que a distanciou do Sol. O Árctico passou, então, a receber menos energia solar durante o Verão. As temperaturas do Árctico durante esse período desceram a uma média de 0,2 graus Célsius por século. (more…)

 

Algarve: Subida das águas pode levar a mais derrocadas 23 de Agosto de 2009

Filed under: Notícias da Ciência — Prof. Cristina Vitória @ 19:32
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arribasA constante subida do nível médio da água do mar que vai batendo com mais força nas arribas pode levar a um aumento da frequência de derrocadas nas praias da costa Oeste algarvia, declarou hoje uma especialista.

«Com a subida do nível médio do mar devido às alterações climáticas e pelo facto das rochas serem muito moles e menos resistentes ao ataque do mar, a tendência é as derrocadas poderem vir a ser mais frequentes», disse hoje à Agência Lusa Delminda Moura, geóloga do Centro de Investigação Marinha e Ambiental da Universidade do Algarve.

A praia Maria Luísa (Albufeira), onde sexta-feira morreram cinco pessoas na sequência de uma derrocada, está localizada na zona Oeste algarvia, que se insere numa costa rochosa em franco recuo devido à subida do nível das águas do mar. (more…)

 

Subida das temperaturas vai acelerar emissão de CO2 armazenado nas turfeiras do Norte do planeta 29 de Julho de 2009

Filed under: Notícias da Ciência — Prof. Cristina Vitória @ 11:31
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turfeirasEstudo publicado na revista “Nature”

 Enquanto o mundo negoceia um plano de acção mundial contra as alterações climáticas, os cientistas trabalham para perceber melhor o fenómeno. Hoje, uma equipa de investigadores de três países divulgou que um aumento de 1ºC vai aumentar em mais de metade o CO2 emitido pelas turfeiras nas regiões nórdicas. O estudo foi publicado na revista “Nature”. 

A equipa de cientistas holandeses, suecos e britânicos mostrou que “um aumento de 1ºC vai acelerar a respiração de todo aquele ecossistema [as turfeiras] em média em 60 por cento na Primavera e 52 por cento no Verão. Este efeito durará, pelo menos, oito anos”.

Os cientistas estimam que durante as próximas décadas, o aumento de 1ºC levará as turfeiras boreais a emitir anualmente entre 38 e cem milhões de toneladas de CO2. Ora, a meta de redução das emissões de gases com efeito de estufa (GEE) no conjunto da União Europeia é de 92 milhões de toneladas por ano, lembram os investigadores.

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Alterações climáticas estão a tornar peixes cada vez mais pequenos 21 de Julho de 2009

peixessConclusão de estudo do Cemagref
Os peixes das águas europeias perderam metade da sua massa corporal no espaço de algumas décadas, por causa do efeito das alterações climáticas, concluiu um estudo do instituto francês Cemagref, publicado hoje nos Estados Unidos.

Os investigadores deste instituto público especializado na gestão sustentável das águas e dos territórios estudaram as populações de peixes nos rios europeus, no Mar do Norte e no Mar Báltico.

A sua conclusão, publicada na revista “Proceedings of the National Academy of Sciences”, é que as diferentes espécies de peixes perderam em média 50 por cento da sua massa corporal nos últimos 20 ou 30 anos. Além disso, acrescentam, a massa total dos peixes que vivem nas águas europeias baixou 60 por cento.

As espécies mais pequenas tendem a assumir um lugar mais importante nos mares e nos rios, explicou o coordenador do estudo, Martin Daufresne.

Os investigadores já sabiam que as águas mais quentes são, geralmente, habitadas por espécies mais pequenas e que o aquecimento das águas afecta as migrações e os hábitos de reprodução dos peixes.

Mas o impacto na dimensão dos animais é “enorme”, estima Daufresne. Os peixes mais pequenos têm menos crias e constituem presas mais pequenas para os seus predadores, incluindo o homem, colocando assim consequências graves para a cadeia alimentar e para o ecossistema.

Daufresne conclui que a sobre-pesca não é a única razão para a diminuição do tamanho dos peixes. “O nosso estudo estabelece que a temperatura tem um grande papel”.

20.07.2009  PÚBLICO
 

Estudo dos lagos nos Himalaias quer medir risco de inundações 24 de Junho de 2009

HimalaiasAlterações Climáticas afectam as montanhas mais altas do mundo

Um grupo de investigadores começou a estudar os lagos formados pelo degelo dos glaciares dos Himalaias para obter dados sobre o risco de inundações que estas massas de água podem provocar. O primeiro a ser estudado foi o Imja na região do Evereste. A investigação ainda vai no início mas já se notam mudanças que podem estar associadas às alterações climáticas.O gelo dos Himalaias alimenta a rios asiáticos importantes como o Ganges ou o Indo. Estudos anteriores feitos a partir de simulações informáticas mostram que estes rios podem aumentar de tamanho provocando inundações devido ao degelo causado pelas alterações climáticas.

“A área do lago tem vindo a ficar maior e há algumas mudanças nas extremidades das moreias [locais onde se acumulam depósitos]”, disse à BBC News Pradeep Mool, um dos especialistas do International Centre for Integrated Mountain Development (ICIMOD). O instituto, que também é responsável por este estudo, é formado por oito países asiáticos da região dos Himalaias e dedica-se a investigar o impacto que a cordilheira pode ter nas populações humanas locais. O investigador acrescentou que o aumento do tamanho do lago não é alarmante.

O Imja situa-se a cinco mil metros de altitude, nasceu no final dos anos de 1950 devido ao descongelamento de um glaciar. O lago foi o primeiro a ser visitado, em Maio. Seguem-se outros do Nepal. “Começámos pelo Nepal, mas pretendemos estender os estudos para outros países que ficam nos Himalaias”, disse à BBC News Arun Bhakta Shretha, um especialista em alterações climáticas também do ICIMOD. “Esta é parte de uma avaliação regional das inundações que estes lagos podem causar”, referiu.

As alterações climáticas estão por trás desta preocupação. Há 20 anos que não existe uma monitorização no local da evolução dos lagos da cordilheira. Todos os dados que têm sido fabricados foram a partir de simulações informáticas ou através de registos de satélites. Estes estudos mostram por exemplo que a temperatura média das montanhas tem aumentado 0,06 graus célsius por ano.

Só na região do Nepal, dos 3300 glaciares que existem, 2300 têm lagos. Nos últimos 70 ano, ocorreram 30 inundações causadas pelo galgar das águas destes lagos. Appa Sherpa, um sherpa que já fez 19 viagens ao Evereste, conta que viu água líquida acima dos oito mil metros, durante a última escalada em Maio. “Fiquei chocado ao ver água líquida a essa altitude, nunca vira nada sem ser neve e gelo.”

Segundo Arun Bhakta Shretha o objectivo do estudo é compreender os riscos a partir de um olhar que abrange os aspectos físicos, económicos e sociais. “Estamos a tentar ligar a ciência, a política e a atenção do público para que as nossas descobertas sejam úteis para a sociedade.”

A longo prazo, os cientistas defendem que os rios podem secar quase totalmente durante a época seca, devido ao retrocesso contínuo dos glaciares, deixando milhões de pessoas sem água na região. Estes estudos poderão ajudar a estimar quando é que isto pode vir a ocorrer.

23.06.2009 –  PÚBLICO

 

Cientistas voltam a insistir no “risco acrescido” de alterações climáticas “irreversíveis” 19 de Junho de 2009

climaNecessidade de reduzir significativamente as emissões de GEE
A humanidade será confrontada com um “risco acrescido” de alterações climáticas “abruptas e irreversíveis” se não conseguir reduzir, significativamente, as suas emissões de gases com efeito de estufa (GEE), alertou hoje um relatório de síntese redigido por 12 cientistas, a partir da reunião de dois mil investigadores de 80 países, que estiveram reunidos em Março em Copenhaga.

“As observações recentes mostram que numerosos aspectos do clima estão perto do limite máximo das projecções do IPCC (Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas)”, indica este relatório, publicado a seis meses da conferência de Copenhaga, em Dezembro. Daqui deverá sair o sucessor do Protocolo de Quioto, que expira em 2012.

Aumento da temperatura média à superfície da Terra, degelo dos glaciares, subida do nível dos mares, acidificação dos oceanos: numerosos indicadores climáticos já se situam para lá das flutuações naturais nas quais se desenvolveram as sociedades contemporâneas, notam os cientistas.

“Se as emissões não forem controladas, numerosas tendências vão, provavelmente, acelerar, provocando um risco acrescido de alterações climáticas abruptas e irreversíveis”, salienta este documento.

Os especialistas do clima lembram que “uma das evoluções mais espectaculares” desde o último relatório do IPCC, publicado em 2007, é a rápida redução dos gelos à superfície do oceano Árctico, no final de cada Verão.

Mas se o relatório salienta a urgência de uma redução das emissões de GEE, criticando as metas fracas para 2020, não toma posição sobre os compromissos já fixados durante a negociação mundial em curso.

Os objectivos para 2020 anunciados até agora pelos grandes países industrializados representam uma redução total de emissões na ordem dos oito a 14 por cento, a níveis de 1990. No entanto, a comunidade científica recomenda uma redução de 25 a 40 por cento para limitar o aumento das temperaturas do planeta nos 2ºC.

 18.06.2009   PÚBLICO