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Bactérias: Um micromundo dentro de cada um 3 de Abril de 2012

É do conhecimento geral que existem seres vivos microscópicos designados por bactérias. A tendência é pensar nestes seres como prejudiciais, causadores de doenças ou responsáveis pela degradação de alimentos, por exemplo. Mas sendo tudo isto verdade, começamos hoje a perceber também a sua importância fundamental na protecção da nossa saúde.

Na realidade, temos dentro do nosso tubo digestivo uma quantidade astronómica destes organismos. Estima-se que o número seja cerca de dez vezes superior ao número de células em cada um de nós, qualquer coisa como cem biliões de seres vivos!

Curiosamente, todos nascemos com o nosso tubo digestivo livre de bactérias, mas logo após iniciarmos a amamentação, começamos a ser colonizados por aquelas que foram seleccionadas pela nossa mãe num processo admirável que leva cada microorganismo do seu intestino para o leite e depois para o bebé.

Em pouco tempo formamos a nossa colónia numerosa, específica de cada indivíduo quase como uma impressão digital, mas que pode variar em função da nossa alimentação, sobretudo.

O papel deste verdadeiro ecossistema que existe no nosso intestino é muito variado e reconhecemos-lhe uma importância cada vez maior. Tal como se fosse um órgão adicional, que evolui connosco há milhares de anos, as bactérias regulam o nosso sistema imune, ajudam a proteger-nos de doenças, equilibram o nosso metabolismo energético, auxiliam na digestão alguns alimentos e na absorção dos seus componentes e produzem mesmo nutrientes como a vitamina B12 , a biotina ou a vitamina K.

Como já foi referido, a alimentação tem um papel decisivo na definição do tipo e número de bactérias que temos. Um dos componentes mais importantes é a fibra, um tipo de substância que não é por nós digerida mas que as bactérias conseguem utilizar como alimento, ajudando-as a dividir-se e a manter as suas importantes funções.

Podemos encontrar fibra em quantidades apreciáveis na maioria dos produtos hortícolas como couves, brócolos, espinafres, cenouras, cebolas, grelos, beringelas ou espinafres. As frutas também podem ser boas fontes de fibra: maçãs, laranjas, ameixas, alperces, bananas, morangos ou framboesas são exemplos e a quantidade é maior se, quando possível, comermos as respectivas cascas. Os frutos gordos como nozes, avelãs ou amêndoas são excelentes fontes também, assim como a castanha. Com quantidades e tipos de fibra muito interessantes destacam-se igualmente as leguminosas que infelizmente tendemos a esquecer na nossa alimentação, mas que também pelo seu teor de fibra se tornam alimentos de alto valor nutricional. Fazem parte deste grupo o feijão, o grão, as lentilhas, as favas e até o tremoço. Por último, os cereais também podem ser excelentes fornecedores de fibra, mas para isso é necessário que optemos sempre por variedades integrais de pão, massas ou arroz, por exemplo.

Existem ainda alimentos que, não contendo quantidades apreciáveis de fibra, podem modular o número e tipo de bactérias que temos no nosso organismo. São alimentos que têm na sua composição bactérias vivas e o exemplo mais conhecido será o do iogurte. A indústria alimentar tem investido um grande esforço de investigação na procura de alimentos deste tipo que possam ajudar em algumas doenças havendo já alguns casos específicos em que se verificaram benefícios.

Estamos ainda longe de compreender na globalidade a fascinante interacção que temos com estes microorganismos e de que forma podemos racionalmente modificá-la em nosso proveito. Entretanto, o melhor será consumirmos uma alimentação rica em fibras e assim beneficiar ao máximo deste verdadeiro casamento para a vida.

02.04.2012 Por Nuno Borges – Púbico

Nutricionista e professor
Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação Universidade do Porto