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Óleo de lavanda pode tratar micoses 26 de Fevereiro de 2011

A planta da lavanda, mais conhecida por alfazema, é vulgarmente utilizada nas áreas cosmética e alimentar, mas no futuro pode ser uma mais-valia para a indústria farmacêutica, graças a uma investigação das universidades de Coimbra e do Porto, cujos resultados preliminares indicam a sua eficácia como anti-fúngico. 

O estudo publicado na revista “Journal of Medical Microbiology” revela que o óleo de lavanda  tem grande potencial para se tornar num  fármaco capaz de combater infecções resistentes a outros medicamentos.  Desta forma, poderá ser utilizado no tratamento de doenças da pele e das unhas, como o pé-de-atleta, a “tinha” ou vários tipos de micoses. 

O óleo de lavanda foi testado contra uma variedade de fungos patogénicos e revelou-se letal para os dermatófitos (que causam infecções na pele, unhas e cabelos, uma vez que usam a queratina presente nesses tecidos para obter nutrientes) e para várias espécies de Candida albicans, o fungo que, entre outras infecções, é o responsável pelas aftas. 

Visto que actualmente existem poucos tipos de fármacos anti-fúngicas para o tratamento de infecções, e os que estão disponíveis muitas vezes têm efeitos colaterais, os investigadores justificam a urgência de novos fungicidas, dizendo que “nos últimos anos tem havido um aumento na incidência de doenças fúngicas, particularmente entre pacientes imuno-comprometidos”.

Além disso, frisam no artigo que “há um aumento da resistência aos anti-fúngicos” e que os óleos essenciais de lavanda “podem ser alternativas eficazes e baratas, com efeitos colaterais mínimos”.

Qual a melhor espécie?

A investigação com a Lavandula viridis, um arbusto que abundante no Algarve,  começou há  dois anos e vai prosseguir com o estudo de todas as espécies existentes em Portugal do género Lavandula, para se descobrir qual tem maior potencial, explicou Lígia Salgueiro, coordenadora deste trabalho, que se integra na tese de doutoramento de Mónica Zuzarte.
Depois de realizados ensaios in vitro e alguns de fitotoxicidade em células de animais, os investigadores vão dar continuidade aos ensaios dos mecanismos de acção, para elucidar onde vai actuar ao nível do micro-organismo e por que inibe o crescimento e leva à morte do fungo.
Paralelamente estão a realizar-se alguns ensaios de actividade anti-inflamatória, porque muitas vezes a parte da inflamação e da infecção aparecem em simultâneo.
Ciência Hoje 24/02/11