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Importância da cor para reconhecimento de objectos 13 de Dezembro de 2010

Estudo da UAlg revela que cérebro distingue através de processo cromático.

O Grupo de Neurociências Cognitivas da Universidade do Algarve conseguiu observar a importância da cor nos mecanismos cerebrais que permitem reconhecer objectos, com recurso a técnicas de imagiologia de ponta. Este estudo já foi alvo de interesse pela revista científica internacional «The Open Neuroimaging Journal».

 A investigação, liderada por Inês Bramão, partiu do interesse em se conseguir “perceber se o cérebro é capaz de distinguir objectos naturais (como uma rosas) de outros não naturais (um blusa) pela cor e se responde da mesma forma às duas categorias”, explica.

Activação cerebral induzida por objectos a cores (A) e com objectos a preto e branco (B).

A investigadora afirma ao «Ciência Hoje» que “sim”, de facto “existe esta distinção” no cérebro – o que tem implicações no processo evolutivo. A cor é determinante para a identificação. As áreas do cérebro responsáveis pelo processamento visual da cor foram identificadas quando a equipa decidiu mapeou a actividade cerebral de alunos expostos a imagens de objectos a cores e a preto e branco. E concluíram, nos dois casos, que a cor estimula a mesma actividade cerebral no reconhecimento de objectos naturais – uma laranja ou uma rosa, por exemplo – bem como no reconhecimento de objectos não naturais – um martelo ou uma cadeira.

 A influência da cor no reconhecimento é um tema em debate no campo das Neurociências Cognitivas. O cérebro humano está equipado com mecanismos que permitem a visão a cores, mas os benefícios funcionais desta visão ainda não são totalmente conhecidos.

“Esta discussão é importante, não só pelas vantagens que poderá trazer para conhecimento sobre a cognição visual, mas também pelas implicações que podem advir para o tratamento de doentes com lesão cerebral e perturbações no reconhecimento visual de objectos”, continua a investigadora.

Recorde-se que uma das avaliações psicológicas comuns em pessoas com este tipo de lesão é precisamente o reconhecimento de objectos. No caso de não naturais, “a cor ajuda a segregar a imagem do fundo e a extrair-lhe uma forma”, assinalou ainda e conclui que “em objectos naturais activa o significado”.

Ressonância magnética funcional

Incorporado num projecto financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, o estudo resultou da primeira experiência em ressonância magnética funcional, uma das mais recentes tecnologias de imagiologia, fruto da parceira estabelecida entre este grupo de investigação e a Clínica de Imagiologia Fernando Sancho, em Faro, para a utilização do equipamento para fins científicos.

O Grupo de Neurociências Cognitivas da Universidade do Algarve desenvolveu este estudo em parceria com os prestigiados Karolinska Institutet, na Suécia, e Donders Centre for Cognitive Neuroimaging, na Holanda. Além de Inês Bramão, estiveram envolvidos no estudo os investigadores Alexandra Reis, Luís Faísca, Karl Magnus Petersson, Christian Forkstam e os técnicos da Clínica Fernando Sancho Lambertine Tackenberg, Paulo Tinoco e Vasco Câmara Pires, director clínico.

Ciência Hoje 10/12/2010