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Investigadores portugueses caracterizam genoma do mexilhão das fontes hidrotermais 28 de Outubro de 2009

Filed under: 11ºAno,Notícias da Ciência — Prof. Cristina Vitória @ 10:36
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mexilhãoInvestigadores portugueses conseguiram fazer a primeira caracterização a nível mundial do genoma (transcriptoma) do mexilhão das fontes hidrotermais, permitindo criar a primeira base de dados sobre os genes deste animal, que vive no mar profundo.

“A criação desta base de dados, a primeira a nível mundial, é um grande salto evolutivo na investigação porque vai permitir perceber os mecanismos de adaptação do animal a condições extremas de sobrevivência”, afirmou o investigador Raul Bettencourt, em declarações à Lusa.

Os genes deste mexilhão foram identificados e caracterizados num trabalho que é o primeiro no mundo de sequenciação do genoma de um animal das fontes hidrotermais de ambiente marinho profundo, além de ser o primeiro em Portugal realizado num invertebrado.

A investigação desenvolvida pelo Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP) da Universidade dos Açores permitiu a aquisição de novos conhecimentos que podem vir a ter aplicação em áreas como a biotecnologia ou a medicina.

Em causa está a possível descoberta de genes com elevado valor biotecnológico ou de proteínas com propriedades anti-microbianas, que são utilizadas pelo animal para se defender dos microorganismos do meio ambiente em que vive.

No centro das atenções dos investigadores está o Bathymodiolus azoricus, um mexilhão que vive no campo hidrotermal Lucky Strike, a cerca de 1700 metros de profundidade, na região da crista médio-atlântica, a 200 milhas a sudoeste do Faial.

“Este estudo permitiu identificar todos os genes e proteínas induzidos em função do meio ambiente em que vive este animal, junto das emanações fluídicas provenientes do hidrotermalismo”, revelou Raul Bettencourt.

Desta forma, os investigadores ficaram a conhecer, do ponto de vista fisiológico, “como o animal se adapta às condições de um meio ambiente adverso”, caracterizado pela ausência de luz solar, elevados níveis de pressão hidrostática e de concentração de metais pesados e valores extremos de temperatura.

Estas condições, impróprias para a vida tal como a conhecemos à superfície da Terra, são ideais para o desenvolvimento de ecossistemas baseados na síntese de nutrientes a partir da energia química e de associações simbióticas entre bactérias quimiossintéticas e os seus hospedeiros, como o Bathymodiolus azoricus.

A investigação sobre este mexilhão de fontes hidrotermais de profundidade deu origem a uma base de dados que inclui cerca de 86 mil sequências de cDNA (genoma activo) e 44 mil potenciais proteínas, muitas das quais ainda não têm funções biológicas descritas.

“É uma grande novidade”, frisou o investigador, salientando a importância desta base de dados, que ficará alojada no DOP, num servidor dedicado ao projecto BioDeepSea, que envolve vários trabalhos na área do estudo de comunidades associadas às fontes hidrotermais.

Rui Bettencourt revelou que se pretende ter esta informação genética disponível na Internet dentro de dois anos.

22.10.2009 –  Por Lusa