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Portuguesa descobre gene envolvido na formação de neurónios 15 de Setembro de 2009

descobgeneDescoberta publicada “Nature Neuroscience”

A bioquímica Luísa Pinto, agora no Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde da Universidade do Minho, é a primeira autora de um artigo científico que anuncia a descoberta de um gene importante na formação dos neurónios. Publicado na última edição da revista “Nature Neuroscience”, o artigo diz que o gene – chamado AP2gamma – desempenha um papel essencial no desenvolvimento dos neurónios do córtex visual, onde se processa a informação visual.

Quando estava no Instituto de Investigação de Células Estaminais de Neuherberg, na Alemanha, Luísa Pinto e a colega alemã Magdalena Götz investigaram, numa primeira fase, a transformação em neurónios de um grupo de células estaminais embrionárias. As células estaminais embrionárias têm a capacidade de dar origem a todos os tipos de células no organismo, que se tornam por exemplo tecido da pele, do coração ou neurónios, já diferenciados.

Através do estudo do cérebro de embriões de ratinho, a equipa descobriu que o gene AP2gamma comanda o fabrico de uma proteína que leva a que as células estaminais embrionárias se transformem em neurónios no córtex cerebral, em particular no córtex visual. “É esse gene que leva a que se formem esses neurónios. Mostrámos que é importante em termos funcionais para a visão”, sublinha Luísa Pinto, de 28 anos, que voltou a Portugal em Janeiro.

A investigadora está agora envolvida no passo seguinte da investigação: verificar se o gene descoberto consegue conduzir à formação de novos neurónios num cérebro adulto. “No cérebro adulto, os neurónios não se regeneram”, explica Luísa Pinto. “O que estou a fazer agora é ver se este gene consegue levar à formação de novos neurónios em situações normais e de doenças, como as doenças relacionadas com o ‘stress’, onde os neurónios estão em menor número numa zona do córtex cerebral que se chama hipocampo.” Um exemplo de doença relacionada com o ‘stress’ é a depressão. “Mas várias outras doenças têm como consequência uma diminuição do número de neurónios no cérebro.”
15.09.2009  PÚBLICO

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