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Gases com efeito de estufa suspendem ciclo natural de arrefecimento do Árctico 5 de Setembro de 2009

arrefecimento articoEstudo publicado na revista “Science”

Os gases com efeito de estufa trocaram as voltas ao Árctico e empurraram as suas temperaturas para os níveis mais altos dos últimos dois mil anos, suspendendo um ciclo natural de arrefecimento que deveria ter durado mais quatro mil, segundo um estudo internacional publicado hoje na revista “Science”.

A equipa de cientistas, financiada pela National Science Foundation, estudou as temperaturas sentidas nos últimos dois mil anos daquela região. Até agora apenas existiam dados relativos aos últimos 400 anos. Para isso analisou os sedimentos acumulados em cerca de 20 lagos, os anéis das árvores e os gelos. Estas informações eram tão detalhadas que foi possível reconstruir as temperaturas passadas década por década. Os resultados poderão acicatar o debate entre cépticos e não cépticos das alterações climáticas.

A poluição libertada pela acção humana pôs um fim ao ciclo de arrefecimento que começou há oito mil anos, quando o eixo de rotação da Terra sofreu uma oscilação que a distanciou do Sol. O Árctico passou, então, a receber menos energia solar durante o Verão. As temperaturas do Árctico durante esse período desceram a uma média de 0,2 graus Célsius por século.

Apesar de a distância Sol-Terra se ter mantido durante o século XX, as temperaturas começaram a subir em 1900. Cinquenta anos depois, o Árctico era 0,7 graus Célsius mais quente. Até que a década de 1999 a 2008 registou as mais altas temperaturas dos últimos dois mil anos. Hoje, as temperaturas são 1,2 graus Célsius mais elevadas do que em 1900.

Aos olhos de Darrell Kaufman, da Universidade do Arizona e coordenador do estudo, esta incongruência demonstra que os humanos estão a alterar o clima. “Se não fosse pelo aumento dos gases com efeito de estufa, as temperaturas de Verão no Árctico deveriam ter baixado, gradualmente, ao longo do século XX”, acrescentou Bette Otto-Bliesner, cientista do Centro Nacional para a Investigação Atmosférica, dos Estados Unidos, que participou no estudo.

“A quantidade de energia que recebemos do Sol no século XX continuou a diminuir. Mas a temperatura registou o maior aumento dos últimos dois mil anos”, independentemente das alterações naturais da órbita da Terra, salientou ainda Nicholas P. McKay, da Universidade do Arizona (Tucson) e membro da equipa.

O que já se sabia era que nas últimas décadas, o Árctico aqueceu duas a três vezes mais do que o resto do planeta. Tudo porque a região polar amplifica as alterações climáticas. Quando há menos superfície de neve e gelo para reflectir a energia solar de volta ao espaço, o solo escuro e o oceano que ficam a descoberto absorvem mais energia e aquecem mais.

“Porque sabemos que os fenómenos responsáveis pela ampliação (das alterações climáticas) no Árctico continuam a operar, podemos antever que a tendência se vai manter no próximo século”, estimou Gifford Miller, da Universidade do Colorado e membro da equipa.
04.09.2009 PÚBLICO