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Investigadores transferiram genoma alterado entre duas espécies de bactérias 24 de Agosto de 2009

ENVIRONMENT MICROBESBiologia sintética

Pôr as bactérias a trabalhar para nós é um dos grandes objectivos da biotecnologia. Investigadores do Instituto Craig Venter, em Maryland, deram mais um passo nesse sentido, ao conseguirem transplantar um genoma modificado de uma bactéria para outra, e esperam usar esta técnica para criar micróbios completamente sintéticos.21.08.2009 – PÚBLICO/ Reuters

Desde a produção de novas vacinas até à limpeza de resíduos tóxicos, há toda uma panóplia de trabalhos reservados para estes seres microscópicos, à medida que se consegue mexer cada vez mais na sua estrutura genética.

O artigo publicado hoje na revista “Science” descreve o que equipa de Carole Lartigue fez: retirou o genoma completo de uma bactéria, inseriu-o em leveduras – um óptimo modelo para se fazer experiências em biologia– alterou-lhe geneticamente o genoma. Finalmente, voltou a transplantá-lo para outra espécie de bactéria.

Segundo os autores, este método permiti mexer nos genes de uma variedade de bactérias, com as quais a engenharia genética tinha dificuldade em trabalhar. “Muitos micróbios importantes a nível médico ou industrial são difíceis de manipular geneticamente”, escreveram. “Isto limitava muito a nossa compreensão da patogénese e a nossa capacidade de explorar o conhecimento da biologia microbiana a um nível prático. Esperamos que o ciclo apresentado possa ser aplicado em outras espécies para resolver estes problemas.”

A equipa de Lartigue utilizou a bactéria chamada Mycoplasma mycoides, que causa uma pleuropneumonia que afecta as cabras e que é difícil de combater com antibióticos. Os cientistas retiraram o genoma desta bactéria, colocaram-no em leveduras, um organismo evolutivamente distante das bactéria.´
Nessa altura, apagaram um gene da bactéria que não é necessário para que a a M. mycoides sobreviva e implantaram o genoma modificado noutra espécie próxima de bactéria, M. capricolum. O novo organismo começou a replicar-se e, depois de algumas divisões celulares, produziu uma nova estirpe de M. mycoides.

Os autores esperam desenvolver novas vacinas com esta tecnologia. Mas a nova área da biologia sintética, que tenta compreender o que é essencialmente necessário para existir vida e tenta replicá-lo em laboratório, aposta na manipulação de microrganismos para produzir bio-combustíveis ou sequestrar carbono, combatendo o aquecimento global.