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Algarve: Subida das águas pode levar a mais derrocadas 23 de Agosto de 2009

Filed under: Notícias da Ciência — Prof. Cristina Vitória @ 19:32
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arribasA constante subida do nível médio da água do mar que vai batendo com mais força nas arribas pode levar a um aumento da frequência de derrocadas nas praias da costa Oeste algarvia, declarou hoje uma especialista.

«Com a subida do nível médio do mar devido às alterações climáticas e pelo facto das rochas serem muito moles e menos resistentes ao ataque do mar, a tendência é as derrocadas poderem vir a ser mais frequentes», disse hoje à Agência Lusa Delminda Moura, geóloga do Centro de Investigação Marinha e Ambiental da Universidade do Algarve.

A praia Maria Luísa (Albufeira), onde sexta-feira morreram cinco pessoas na sequência de uma derrocada, está localizada na zona Oeste algarvia, que se insere numa costa rochosa em franco recuo devido à subida do nível das águas do mar.

«As arribas litorais desta zona rochosa quando são atacadas pelo mar perdem massa e essa perda é irreparável, ou seja perde-se para sempre», conta a especialista.

O facto de as rochas serem moles e por isso mais frágeis ao impacto das ondas, mas também o facto de haverem buracos preenchidos com areia ou ar e cuja entrada da água provoca explosão, são outras das causas para as derrocadas que se têm vindo a assinalar na zona do barlavento, acrescentou Delminda Moura.

Os factores já referidos, conjugados com o sismo sentido recentemente no Algarve, podem ter contribuído para a derrocada na praia Maria Luísa.

Há 30 anos a viver e a trabalhar no Algarve, a geóloga nunca tinha ouvido falar em tantas mortes devido a derrocadas, mas avisa que a constante construção de casas junto de arribas – comummente conhecidas por falésias – também fragilizam as arribas e potenciam as derrocadas.

Para combater o perigo de passar férias debaixo de uma arriba, a especialista pede às autoridades locais que seja lançada uma campanha de informação dos perigos morfológicos das arribas.

«Deve ser feita uma campanha de sensibilização para evitar o perigo mesmo que seja apetecível a sombra», acrescenta.

A especialista alerta ainda os autarcas para que não permitam tantas construções junto das arribas.

«É imperdoável que, com os conhecimentos [morfológicos] que temos hoje, se permitam tantas construções e tão perto das arribas», lamenta.

Almada, Peniche, Câmara de Lobos ou Albufeira foram palco nos últimos anos de derrocadas semelhantes à de sexta-feira ocorrida na praia Maria Luísa e que deverá ser a mais grave de sempre, no que diz respeito a vítimas mortais.

22/08/09 Diário Digital / Lusa