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Dados primeiros passos para detectar ondas gravitacionais 22 de Agosto de 2009

ondas gravitacionaisUm laboratório norte-americano que estuda as origens do Universo ainda não conseguiu detectar as ondas gravitacionais previstas pelo físico Albert Einstein há quase um século, mas deu já os primeiros passos importantes.

Segundo a edição desta semana da revista Nature, o Laser Interferometer Gravitational Wave Laboratory (LIGO), integrado por três detectores e que desde 2005 procura provas dessas deformações do espaço-tempo, conseguiu remontar à origem do Universo até 60 segundos depois do seu começo.

Embora alguns modelos teóricos do que aconteceu nos primeiros momentos do cosmos indiquem que as ondas gravitacionais deveriam ser visíveis pelo LIGO, isso não aconteceu até agora.

De acordo com a Nature, as últimas investigações do LIGO indicam que os observatórios interferométricos desse tipo poderão abrir novos horizontes à astronomia ao permitir examinar aspectos do cosmos antes ocultos da visão humana por supernovas ou buracos negros.

Os 380 mil anos que se seguiram ao Big Bang, a grande explosão inicial que deu origem ao Universo, surgem opacos aos telescópios convencionais que utilizam o espectro electromagnético.

Segundo o Professor David Reitze, da Universidade da Florida, porta-voz do LIGO, «as ondas gravitacionais representam a única forma de investigar o Universo no momento do nascimento».

Embora até agora não tenha sido possível detectar nenhuma dessas ondas, existem provas indirectas da sua existência, como a desaceleração do período orbital observado num pulsar binário.

O facto do LIGO não ter podido ainda detectar sinais dessas ondas nas frequências que é capaz de observar indica a máxima força que deverão ter.

Os estudos até agora realizados pelos astrónomos com a ajuda dos observatórios interferométricos poderiam ajudar a explicar por que razão o Universo adquiriu a sua actual estrutura, em que a matéria se concentra em galáxias entre as quais existem enormes extensões de espaço vazio.

Os especialistas crêem que essa estrutura se deve a flutuações acidentais de temperatura no Universo quando este tinha ainda um tamanho microscópico, flutuações que aumentaram extraordinariamente com o Big Bang.

O Professor Jim Hough, da Universidade de Glasgow (Escócia), um dos investigadores da equipa do LIGO, considera que há uma entre oito probabilidades do observatório conseguir detectar as ondas gravitacionais no próximo ano e meio.

Se não o conseguir, isso será certamente possível com segurança total por instrumentos ainda mais aperfeiçoados que poderão estar prontos para usar em 2014.

As ondas gravitacionais são muito difíceis de detectar por serem extraordinariamente pequenas.

Para se ter uma ideia, na distância de 4,3 anos-luz que separa a Terra da estrela Alfa Centauro, a curvatura que imprimiria ao espaço uma onda gravitacional teria a grossura de um cabelo humano.

20/08/09 Diário Digital