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Há oito plantas em perigo crítico de extinção no país 18 de Maio de 2009

trevoNo Dia Mundial da Conservação das Plantas, os especialistas dizem que o País está a falhar na preservação dos recursos vegetais. Defendem a criação de um banco de sementes a nível nacional e a inclusão das espécies ameaçadas num Livro Vermelho de forma a assegurar a sua protecção. Portugal não está a cumprir a Convenção para a Biodiversidade.

Oito plantas, das quais sete só existem em Portugal, estão classificadas como espécies “em perigo crítico” de extinção no Plano Nacional de Conservação da Flora em Perigo, que tem como objectivo contribuir para a sua preservação.

Hoje, Dia Mundial da Conservação das Plantas, os especialistas defendem que a inclusão das espécies ameaçadas num Livro Vermelho e a criação de um banco de sementes que salvaguarde os recursos genéticos vegetais são duas medidas essenciais para conservar a flora portuguesa.

Das oito espécies de plantas “em perigo crítico”, apenas sete existem em território nacional onde ocupam uma área de distribuição reduzida. São elas a corriola- -do-espichel, Linaria ricardoi, narciso-do-mondego, miosótis-das- -praias, diabelha-do-algarve, diabelha-do-almograve e o álcar-do- -algarve. Também em extinção está o trevo-de-quatro-folhas, que existe em vários países mas tem vindo a regredir em Portugal.

O director do Departamento de Conservação e Gestão da Biodiversidade do Instituto de Conservação da Natureza (ICNB), Mário Silva, diz não estar previsto, para já, dar continuidade a este projecto de conservação, mas destaca que está a ser concluída uma lista de referência das espécies da flora portuguesa. A lista vai incluir todas as espécies vegetais, com e sem estatuto de protecção, e servirá de base a um Livro Vermelho das Plantas, considerado essencial para a conservação da flora.

A inexistência deste livro mostra que Portugal falha na conservação das plantas. Quem o diz são as especialistas Helena Freitas e Dalila Espírito Santo, responsáveis pelo Jardim Botânico da Universidade de Coimbra e pelo Jardim Botânico d’Ajuda, em Lisboa.

“Estamos na lista dos países que não cumprem a Convenção para a Biodiversidade porque nunca elaborámos um Livro Vermelho das Plantas, um documento essencial para identificar as espécies vegetais mais ameaçadas e desenvolver planos de gestão apropriados para a conservação no território nativo e fora dele”, assinalou Helena Freitas.

A nível europeu, só Portugal e a Macedónia não dispõem de um Livro Vermelho, diz Dalila Espírito Santo. A especialista criticou também a falta de apoios para a conservação de espécies fora do território nativo. Uma tarefa que compete, “essencialmente, aos jardins botânicos, através das colecções vivas ou dos bancos de sementes”.

Também neste caso Portugal negligencia os seus deveres. “É mais um incumprimento. Já devíamos ter criado um banco de sementes a nível nacional. Os que existem são pequenas iniciativas não concertadas, feitas com recursos avulsos”, afirma Helena Freitas.

O único banco de sementes de âmbito nacional, o Banco Português de Germoplasma Vegetal, é dedicado a espécies agrícolas com interesse alimentar.

A conversão das florestas em explorações agrícolas intensivas, incêndios, espécies exóticas e alterações climáticas são alguns dos factores críticos para a sobrevivência das plantas.

                                                                18-05-09 In Diário de Notícias

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