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Sentir borboletas na barriga 12 de Fevereiro de 2009

borboletasnabarriga1Como se explicam algumas sensações que descrevem os apaixonados

PEDRO ANTUNES PEREIRA

A primeira vez que o Mário conheceu Diana ficou irreconhecível. Suou, sentiu um friozinho no estômago, borboletas na barriga, e ainda por cima, os batimentos cardíacos aceleraram.

O Mário que não se assuste porque são reacções naturais do sistema nervoso, ainda que involuntárias. O que ele não deve saber é que no aparelho digestivo se alojam muitas celúlas nervosas.

O professor da Escola de Ciências da Saúde da Universidade do Minho, João Bessa, associa estas reacções à noção de paixão: “É um sentimento mais ligado a emoções básicas, enquanto o amor é um conceito mais vasto que engloba a formação de laços afectivos “.

A manifestação de emoções exteriores, como as referidas em cima, está associada à actuação do sistema nervoso autónomo.

“É a sua dimensão emocional, involuntária e não controlada que gera alterações físicas como o aumento do ritmo cardíaco, ou da tensão arterial; a pele fria e suada”.

Junte-se a dimensão cognitiva e podemos ter uma explicação: “Quando nos apaixonamos, o pensamento gira à volta do objecto do nosso interesse. No entanto, quando este tipo de pensamento se torna patológico, entramos no domínio das obsessões”.

João Bessa explica ainda que “a reactividade emocional varia de pessoa para pessoa e tem a ver com múltiplas características: a personalidade, o desenvolvimento pessoal e físico, o enquadramento familiar, social e laboral”.

A verdade é que as emoções são importantes “mecanismos de adaptação e mesmo de sobrevivência”, havendo uma função biológica “associada a esta necessidade de ligação aos outros”.

O professor universitário descansa os leitores: “Não há nenhum mecanismo para controlar estas emoções, que são involuntárias.

Não podemos fazer nada contra isso”. João Bessa acrescenta ainda que “há pessoas com maior sensibilidade para as alterações corporais induzidas pelas emoções do que outras que têm menor capacidade para interpretar as suas emoções”.

Um friozinhono estômago como reacção nervosa

A sensação é no mínimo estranha. Parece que o nosso estômago está “possuído” por borboletas, segundo uns. Ou é atravessado por um “friozinho”. Há uma explicação física do organismo para explicar esse estado.

Resulta da “activação do componente simpático do sistema nervoso autónomo no sistema digestivo que provoca estas sensações, ao qual se contrapõe o sistema parassimpático que tem acções contrárias”, explica ainda João Bessa.

Sabia que… Humor empurra paixão

Se está sempre bem-disposto fique a saber que a sua capacidade para se apaixonar pode ser maior do que aqueles leitores com uma disposição mais depressiva.

“Uma tonalidade do humor mais depressiva ou mais eufórica pode ser importante na criação de um relacionamento”, diz o professor universitário João Bessa. Por isso, às vezes, as primeiras impressões podem não ser as mais verdadeiras.

A caminho de uma explicação biológica está a noção de mono e de poligamia. “Estudos neurobiológicos recentes têm implicado a expressão de duas hormonas em diferentes regiões cerebrais na formação de relações afectivas estáveis e duradouras.”

Sabia que… Um arrepio na pele

“Dás-me um arrepio na pele” é uma das mais famosas frases de um das mais conhecidas canções de Marco Paulo. “Taras e Manias”, o tema em acusa, à parte, esta reacção volta a ter o sistema nervoso autónomo como responsável.

Mas quem está à espera de controlar ou treinar este tipo de emoções tire o cavalinho da chuva, explica o professor de Ciências da Saúde.

“Em princípio, não podemos treinar o sistema nervoso autónomo, mas há pessoas, por exemplo, que conseguem enganar os polígrafos. Mas isto exige um treino especializado porque é muito difícil enganar o sistema nervoso autónomo”.

                                                                                                                                         In Jornal de Notícias a 11/02/09

 

11 Responses to “Sentir borboletas na barriga”

  1. Patrícia 9ºB Says:

    Como é que o poligrafo consegue saber se estámos a metir? As pessoas que estão a fazer esse teste podem estar a transpirar mas pode ser de estar nervoso e não por estar a mentir. E se ele consegue ver isso como é que algumas pessoas conseguem enganar?

  2. Daniela 9B Says:

    Então significa que os testes que são feitos no polígrafo podem não corresponder à verdade? E se há pessoas com uma maior sensibilidade corporal significa que essas pessoas se fizerem um teste de polígrafo se torna mais difícil para elas tentar «enganar» o polígrafo?entõ essa capacidade tem haver com a sensibilidade corporal?

  3. biogilde Says:

    Cara Patrícia, é possível se a possoa conseguir controlar a sua mente…Ver o que diz o site http://pt.wikipedia.org/wiki/Controle_da_mente
    Controle mental é um termo genérico para diversas teorias controversas que propõem que o pensamento de um indivíduo, bem como seu comportamento, emoções e decisões a ser feitas, possam estar sujeitos à manipulação arbitrária de fontes externas.

    A possibilidade desse controle e os metódos para assumi-lo (de forma direta ou sutil) são temas para discussões entre psicológogos, neurocientistas e sociológos. A definição exata de controle mental e a extensão de sua influência sobre o indíviduo também são debatidos.

    Os diferentes pontos de vista sobre o assunto possuem implicações legais. Controle mental foi o tema do caso judicial de Patty Hearst e de vários julgamentos envolvendo novos movimentos religiosos. Questões sobre controle mental são levantadas em debates éticos relacionados ao assunto de livre arbítrio.

  4. biogilde Says:

    Daniela, não depende da sensibilidade cada um mas sim da sua capacidade para controlar a sua mente e alterar reacções a determinadas situações. Isso não é fácil mas há possoas que o conseguem. Por exemplo algumas pessoas também conseguem controlar a dor. Por isso é que o poligrafo é tão contestado e em alguns países não é aceite como prova em tribunal.

  5. Joao Silva Says:

    Muito interssante este post!

  6. Joao Tavares Says:

    Eu não acredito muito nos polígrafos e acho que conseguia enganá-los.
    Quanto ao resto do artigo acho que é interessante.
    Espero que a professora continue a colocar mais artigos assim.

  7. biogilde Says:

    Joãozinho, nem alguns criminosos profissionais conseguem enganá-los…como achas que consiguirias???LOLL
    Parece-me que será um belíssimo actor …ou será que nos andas a enganar a todos???? LLOLL
    Jinhos

  8. biogilde Says:

    Espero que também sejam interessantes os outros …LOLL pelo menos que sejam úteis.
    Jinhos

  9. cristina 9b Says:

    Se há pessoas que conseguem enganar os poligrafos, isso significa que alguns dos resultados dos poligrafos não são verdadeiros? Quando uma pessoa que é submetida a um poligrafo começa a suar pode não querer dizer que esteja a mentir. Há alguma maneira de sabermos se a pessoa esta a suar de nervos ou por estar a mentir?

  10. Daniela 9B Says:

    é verdade setôra esqueci-me de lhe perguntar isto… Ha muita gente que se submete a estes testes e jura que estava a dizer a verdade e o polígrafo diz que é mentira… ( como acontecia no programa da sic)… claro que aí havia um conflito de interesses… mas mesmo assim… quais as medidas que usa o polígrafo para saber se as reacções das pessoas como por exemplo a transpiração é por estar a falar mentira ou simplest
    mente por estar nervoso?

  11. biogilde Says:

    Só um especialista poderá dizer se a pessoa em causa está a mentir ou não. Mas muitas vezes, também não tem certezas e então poderá indicar que há uma certa percentagem de erro na resposta, ou não. Isto é tudo muito dificil de detectar e se for uma pessoa com um treino intensivo da mente poderá mesmo enganar porque poderá controlar as suas reacções, mesmo as mais inconscientes. Como suores, acelaração do rítmo cardíaco, piscadelas de olhos, etc…LOL


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