BioGeogilde Weblog

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Investigadores portugueses dizem que canto das cigarras é gerador de novas espécies 17/08/2009

cigarraTrês estudos publicados em revistas internacionais com trabalho que dura há 20 anos

O processo evolutivo das cigarras enveredou fundamentalmente pela comunicação acústica e a diversificação dos seus cantos poderá estar na origem do aparecimento de novas espécies, segundo investigações de biólogos portugueses. Três estudos publicados em revistas internacionais da especialidade revelam novas características destes insectos, reconhecíveis pelos seus grandes olhos e pelo talento acústico dos machos nos dias de maior calor, cujo volume de som pode chegar aos cem decibéis.

São os insectos com maior esperança de vida, com algumas espécies, como as americanas, a viver 17 anos, mas passam 99 por cento do seu tempo a alimentar-se e a crescer debaixo da terra, de onde saem na fase de ninfa por algumas semanas, durante o Verão, apenas para se reproduzirem e morrerem. Durante o pouco tempo que passam à superfície, toda a sua energia é investida no acasalamento e na deposição de ovos em plantas herbáceas, referem os cientistas. (mais…)

 

Alterações climáticas estão a tornar peixes cada vez mais pequenos 21/07/2009

peixessConclusão de estudo do Cemagref
Os peixes das águas europeias perderam metade da sua massa corporal no espaço de algumas décadas, por causa do efeito das alterações climáticas, concluiu um estudo do instituto francês Cemagref, publicado hoje nos Estados Unidos.

Os investigadores deste instituto público especializado na gestão sustentável das águas e dos territórios estudaram as populações de peixes nos rios europeus, no Mar do Norte e no Mar Báltico.

A sua conclusão, publicada na revista “Proceedings of the National Academy of Sciences”, é que as diferentes espécies de peixes perderam em média 50 por cento da sua massa corporal nos últimos 20 ou 30 anos. Além disso, acrescentam, a massa total dos peixes que vivem nas águas europeias baixou 60 por cento.

As espécies mais pequenas tendem a assumir um lugar mais importante nos mares e nos rios, explicou o coordenador do estudo, Martin Daufresne.

Os investigadores já sabiam que as águas mais quentes são, geralmente, habitadas por espécies mais pequenas e que o aquecimento das águas afecta as migrações e os hábitos de reprodução dos peixes.

Mas o impacto na dimensão dos animais é “enorme”, estima Daufresne. Os peixes mais pequenos têm menos crias e constituem presas mais pequenas para os seus predadores, incluindo o homem, colocando assim consequências graves para a cadeia alimentar e para o ecossistema.

Daufresne conclui que a sobre-pesca não é a única razão para a diminuição do tamanho dos peixes. “O nosso estudo estabelece que a temperatura tem um grande papel”.

20.07.2009  PÚBLICO
 

Do fundo do mar até ao osso 14/07/2009

cientistasVinte anos de pesquisas em biomateriais

O ideal era que fôssemos como os lagartos, os ouriços ou as estrelas-do-mar. Que quando perdêssemos um braço, partíssemos um osso ou víssemos um cancro a devorar-nos um órgão, estes pedaços de nós voltassem a crescer. O INEB não desiste de tentar.

Celebraram 20 anos de trabalho no final do mês de Junho organizando um fim-de-semana de formação com o título: Engenharia Biomágica. A verdade é que às vezes parece magia o que tornam possível. Às vezes parece que só com magia vão conseguir fazer o que acham possível. Os investigadores do Instituto de Engenharia Biomédica (INEB) foram os primeiros a dedicar-se a esta área em Portugal e têm um lema: engenharia que vive. Foi assim que preencheram defeitos ósseos com cascas de camarão e caranguejo, fizeram próteses com titânio e um simulador de partos. Por exemplo.

No início, que como já dissemos foi há 20 anos, eram pouco mais de uma dezena de pessoas com um interesse em comum. Eram médicos, engenheiros, biólogos, investigadores que se importavam com a engenharia biomédica e que, um dia, se encontraram num congresso sobre o tema, no Porto. E o INEB começou assim sem paredes, cada um no seu departamento e sabendo que, na soma das partes, formavam um todo. Foi o primeiro grupo de investigação a trabalhar na área dos biomateriais em Portugal.

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Modelos climáticos deixam de fora metano libertado pelos oceanos 09/07/2009

alteraçõesAté agora, a contribuição do metano oceânico para o efeito de estufa tem sido grandemente subestimada e não foi incluída nos modelos climáticos internacionais, alerta um estudo publicado ontem na revista especializada “Nature Geoscience”.

Os cientistas da Universidade de San Diego, coordenados por Evan A. Solomon, estudaram seis locais do Golfo do México onde o metano é libertado por “chaminés de gás” na placa oceânica, a 500 ou 600 metros de profundidade. A emissão para a atmosfera destas bolhas de metano será “considerável”.

Contra o que seria de esperar, as bolhas emitidas a estas profundidades atingem as águas à superfície e o metano que contêm escapa para a atmosfera.

Graças a um robô submersível, os investigadores recolheram amostras de água de 20 em 20 metros numa coluna de água nas proximidades daquelas “chaminés de gás” e analisaram a concentração de metano. Máxima à saída das chaminés, a concentração em metano diminui rapidamente, antes de aumentar de novo à superfície.

A partir das concentrações de metano nas águas à superfície, os investigadores calcularam a velocidade da difusão de metano na atmosfera. E encontraram valores dez a dez mil vezes superiores às estimativas anteriores. Até agora pensava-se que as bolhas emitidas a mais de 200 metros de profundidade não chegavam à superfície.

Os investigadores consideram que estes resultados “salientam a importância das chaminés de gás como fonte de metano atmosférico”, uma fonte subestimada nas previsões climáticas actuais.

O estudo de outras bacias ricas em hidrocarbonetos – como o Golfo Pérsico ou o Mar Cáspio – deverá confirmar estes resultados.

O metano é um gás com efeito de estufa muitas vezes subestimado mas mais potente que o dióxido de carbono (CO2). Num período de cem anos, o seu potencial de aquecimento global é 25 vezes maior do que o do CO2.
06.07.2009 – PÚBLICO

 

Estudo dos lagos nos Himalaias quer medir risco de inundações 24/06/2009

HimalaiasAlterações Climáticas afectam as montanhas mais altas do mundo

Um grupo de investigadores começou a estudar os lagos formados pelo degelo dos glaciares dos Himalaias para obter dados sobre o risco de inundações que estas massas de água podem provocar. O primeiro a ser estudado foi o Imja na região do Evereste. A investigação ainda vai no início mas já se notam mudanças que podem estar associadas às alterações climáticas.O gelo dos Himalaias alimenta a rios asiáticos importantes como o Ganges ou o Indo. Estudos anteriores feitos a partir de simulações informáticas mostram que estes rios podem aumentar de tamanho provocando inundações devido ao degelo causado pelas alterações climáticas.

“A área do lago tem vindo a ficar maior e há algumas mudanças nas extremidades das moreias [locais onde se acumulam depósitos]”, disse à BBC News Pradeep Mool, um dos especialistas do International Centre for Integrated Mountain Development (ICIMOD). O instituto, que também é responsável por este estudo, é formado por oito países asiáticos da região dos Himalaias e dedica-se a investigar o impacto que a cordilheira pode ter nas populações humanas locais. O investigador acrescentou que o aumento do tamanho do lago não é alarmante.

O Imja situa-se a cinco mil metros de altitude, nasceu no final dos anos de 1950 devido ao descongelamento de um glaciar. O lago foi o primeiro a ser visitado, em Maio. Seguem-se outros do Nepal. “Começámos pelo Nepal, mas pretendemos estender os estudos para outros países que ficam nos Himalaias”, disse à BBC News Arun Bhakta Shretha, um especialista em alterações climáticas também do ICIMOD. “Esta é parte de uma avaliação regional das inundações que estes lagos podem causar”, referiu.

As alterações climáticas estão por trás desta preocupação. Há 20 anos que não existe uma monitorização no local da evolução dos lagos da cordilheira. Todos os dados que têm sido fabricados foram a partir de simulações informáticas ou através de registos de satélites. Estes estudos mostram por exemplo que a temperatura média das montanhas tem aumentado 0,06 graus célsius por ano.

Só na região do Nepal, dos 3300 glaciares que existem, 2300 têm lagos. Nos últimos 70 ano, ocorreram 30 inundações causadas pelo galgar das águas destes lagos. Appa Sherpa, um sherpa que já fez 19 viagens ao Evereste, conta que viu água líquida acima dos oito mil metros, durante a última escalada em Maio. “Fiquei chocado ao ver água líquida a essa altitude, nunca vira nada sem ser neve e gelo.”

Segundo Arun Bhakta Shretha o objectivo do estudo é compreender os riscos a partir de um olhar que abrange os aspectos físicos, económicos e sociais. “Estamos a tentar ligar a ciência, a política e a atenção do público para que as nossas descobertas sejam úteis para a sociedade.”

A longo prazo, os cientistas defendem que os rios podem secar quase totalmente durante a época seca, devido ao retrocesso contínuo dos glaciares, deixando milhões de pessoas sem água na região. Estes estudos poderão ajudar a estimar quando é que isto pode vir a ocorrer.

23.06.2009 -  PÚBLICO

 

As penas limitam o tamanho das aves? 17/06/2009

avesMais do que o peso que as impederia de levantar voo, o tamanho das aves parece estar relacionado com o tempo que demora uma muda de penas. É o que defende um artigo de especialistas do Burke Museum da Universidade de Washington publicado na revista PLoS Biology.

A primeira pergunta no comunicado divulgado ontem é: “Por que é que as aves não são maiores?”. O estudo norte-americano demonstra que a resposta está nas penas. À medida que vemos aumentar o tamanho de um animal o crescimento das penas não parece ser capaz de acompanhar o comprimento que seria necessário para um voo seguro, principalmente se tivermos em conta a necessidade de “manutenção” deste material. O que acontece é que as penas acabam por ficar “gastas” antes da esperada substituição. Não há tempo suficiente para esperar pela muda. Assim, é preciso adoptar diferentes estratégias de para diferentes tamanhos de aves. Até ao ponto em que já não há estratégia capaz de assegurar o voo.

Permanentemente expostas a raios ultravioleta e a decomposição de bactérias, as penas sofrem danos e, por isso, têm de ser substituídas com alguma periodicidade. As aves mais pequenas necessitam de um ou duas mudas anuais, durante as penas primárias (cerca de dez) fundamentais para o voo são substituídas sequencialmente, demorando cerca de três semanas cada uma. As espécies maiores recorrem a outras técnicas que podem implicar a substituição de todas as penas ao mesmo tempo ou uma grande parte delas e que envolvem um processo de dois ou mesmo três anos.

Os especialistas fizeram uma série de cálculos que incluem as variáveis do tamanho, comprimento das penas primárias e do peso da ave. Nas contas, tiveram em consideração o ritmo de crescimento das penas. Entre outras conclusões, dizem que seria necessário esperar até 56 dias para substituir um única pena primária numa ave de dez quilos. Detectadas algumas discrepâncias, os investigadores sublinham que para perceber as complexidades da engenharia de produção de penas será necessário estudar melhor a dinâmica e estrutura da zona de crescimentos destes preciosos instrumentos de voo.

Para já, os cisnes de 15 quilos serão os detentores do recorde de tamanho dos voadores. No entanto, ainda há memória de uma ave extinta que pesava aproximadamente 70 quilos chamada Argentavis que viveu na Argentina.

16.06.2009 – 14h49 PÚBLICO

 

Micróbio congelado pode dar pistas sobre a vida extraterrestre 16/06/2009

gronelandiaO “bichinho” chama-se Herminiimonas glaciei ou, simplesmente, H. glaciei . Durante mais de 120 mil anos esteve aprisionado no gelo da Gronelância e segundo os investigadores da equipa norte-americana dirigida por Jennifer Loveland-Curtze servirá de exemplo mostrando que tipo de formas de vida podem existir noutros planetas.

Os investigadores mostraram muita paciência na tarefa de acordar este micróbio para a vida. As amostras do pequeno exemplar – mesmo quando já consideramos as reduzidas dimensões das bactérias – terão sido “internadas” numa incubadora a dois graus celsius durante sete meses. Depois e durante os quatro meses e meio seguintes, a temperatura foi aumentada para cinco graus. Foi nessa altura que as colónias da bactéria foram vistas.

É uma ultramicrobactéria e terá sido este tamanho reduzido que a terá ajudado a sobreviver no gelo. As pequenas dimensões celulares já foram associadas a vantagens na eficiência para a obtenção de nutrientes, protecção de predadores, entre outras defesas.

A maior parte da vida na Terra consiste em microorganismos e, por isso, é possível considerar que este cenário se encontra noutros planetas. A pesquisa de microorganismos que vivem em condições extremas na Terra pode, assim, dar algumas pistas sobre o tipo de formas de vida existentes noutros locais do sistema solar, dizem os investigadores. “Estas condições extremas do frio são as melhores analogias para possíveis habitats extraterrestres”, diz Loveland-Curtze, acrescentando que as baixas temperaturas podem conservar as células e os ácidos nucleicos durante milhões de anos. Estudar este micróbio minúsculo pode ajudar a perceber como as células vivem e sobrevivem em temperaturas que podem chegar as 56 graus negativos, como pouco oxigénio, poucos nutrientes, pressões altas e pouco espaço.

H. glaciei não é prejudicial aos humanos e é uma das poucas ultramicrobactéria descritas até à data e será a única proveniente do manto de gelo da Gronelândia. A descoberta foi publicada na actual edição do “International Journal of Systematic and Evolutionary Microbiology”.
15.06.2009 – 17h05 PÚBLICO

 

Desflorestação mantém a Amazónia pobre 12/06/2009

 
 amazoniaEstudo mostra ausência de desenvolvimento sustentado
 
A desflorestação da Amazónia é como uma onda. Quando está no seu auge, até melhora as condições de vida locais. Mas depois que passa, volta tudo a ficar como estava: pobre. Esta é o principal resultado de um estudo hoje divulgado na revista Science, liderado por uma investigadora portuguesa.

Foi a primeira vez que a bióloga Ana Rodrigues – ligada ao Instituto Superior Técnico, à Universidade de Cambridge (Reino Unido) e ao Centro de Ecologia Funcional e Evolutiva (França) – se debruçou sobre o tema da Amazónia. “É um bom sistema de estudo”, afirma Ana Rodrigues, cuja principal área de investigação são as relações entre o desenvolvimento e a biodiversidade. “Ali, o desenvolvimento está a acontecer muito rapidamente”, justifica.

O estudo hoje publicado – em co-autoria com investigadores do Imperial College de Londres e da Universidade de East Anglia, no Reino Unido, e do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazónia, no Brasil – apresenta um retrato espacial do nível de vida de 286 municípios da região, em função do grau e intensidade da desflorestação.

Imagens de satélite permitiram classificar os municípios em sete categorias. Num extremo estão aqueles com floresta praticamente virgem. No outro, aqueles que já foram vítimas do abate generalizado de árvores no passado. No meio está a “fronteira” da desflorestação, ou seja, as regiões onde a agricultura e a pecuária, no momento da análise, estavam a avançar com mais força sobre o verde tropical.

O ano escolhido foi o de 2000, para o qual há abundantes dados sobre as condições de vida das populações. Como baliza, os investigadores escolheram o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que agrega num só número a expectativa de vida, a literacia e o nível de vida, medido pelo rendimento per capita.

Os resultados apontam para um processo de boom e colapso, como uma bolha. O IDH dispara nos municípios por onde a onda da desflorestação está a passar. Mas depois cai progressivamente.

No final, quando já não há árvores para cortar, nem terra fértil para a agricultura, o IDH volta para um nível semelhante ao do princípio, quando a floresta era virgem. E o seu valor é substancialmente mais baixo do que a média do país.

“Não está a haver um desenvolvimento sustentado do nível de vida das populações”, afirma Ana Rodrigues. Embora a tese em si não seja nova, o estudo apresentou-a sob um novo ângulo analítico.

Não há uma explicação única para o facto de o IDH subir nas zonas de fronteira da desflorestação. A chegada de migrantes de outras regiões com melhores condições de vida pode ser um dos factores. Mas a razão mais provável, especula o estudo, estará no rendimento proporcionado pelos recursos naturais e no acesso ao mercado disponilizado por novas estradas.

Já a queda subsequente do IDH, segundo Ana Rodrigues, terá dois factores determinantes: o aumento da população e uma terra já esgotada e desprovida dos recursos naturais que antes a tornavam tão atraente.

Seis vezes a área de Portugal em 30 anos

Entre 1977 e 2007, a Amazónia perdeu cerca de 570 mil quilómetros quadrados de floresta – mais de seis vezes a área de Portugal.

O recorde anual foi em 1995: 29 mil quilómetros quadrados de verde varridos do mapa. Um novo pico ocorreu já esta década, com 27 mil quilómetros quadrados devastados em 2004. De lá para cá, as áreas têm vindo a diminuir. No último ano, foram cerca de 12 mil quilómetros quadrados – quatro vezes a área ardida em Portugal em 2003.

12.06.2009 – 09h55 PÚBLICO

 

Descoberto local onde se formaram os primeiros gelos do continente mais frio do mundo 08/06/2009

 

Região da Antárctida com topografia parecida com os Alpes

 
ANTARCTICA LIFE
 
 
 
 

Há 14 milhões de anos os flocos de neve que caiam nas montanhas de Gamburtsev, na Antárctida, deixaram começaram a formar um pequeno glaciar que transformou a paisagem da Antárctida na cor que conhecemos hoje, branca.

Uma equipa de investigadores foi até àquela região inóspita e através de ondas de rádio conseguiram construir uma imagem da topografia e determinar onde é que se formaram os primeiros glaciares do continente, o estudo foi publicado hoje na versão online da revista “Nature”.

“Este é o maior reservatório de gelo da Terra, e é o local da Terra que menos se conhece”, disse Fausto Ferraccioli, cientista do British Antarctic Survey, envolvido num noutro projecto internacional para estudar a região. O investigador explicou que as elevações e a localização das montanhas de Gamburtsev tornam o “local ideal” para a formação do primeiro gelo.

O primeiro autor do estudo, Sun Bo do Instituto de Investigação Polar da China, e os seus colegas, percorreram mais de 1200 quilómetros do Centro de Investigação que fica no extremo Este do continente, até ao meio das montanhas, num local denominado Dome A. Nessa região, a equipa utilizou o radar para medir um quadrado de 30 quilómetros de lado e determinou que a paisagem, há 14 milhões de anos, era parecida com a cordilheira dos Alpes. A equipa chegou à conclusão que neste último período de tempo, a camada de gelo não se alterou.

O radar emite ondas para o chão que quando chegam à interface entre o gelo e a montanha são reflectidas devido à mudança do material. Como os investigadores sabem a velocidade das ondas podem, através do tempo que a onda demora a ir e vir, medir a espessura do gelo.

Desta forma conseguem ter uma ideia da topografia. “O que é perfeito, porque permite-nos perceber como é que o vale funcionaria quando estava preenchido por gelo, e como é que a água escorria quando não existia gelo nenhum”, disse à BBC News Martin Siegert, director da escola de geociências na Universidade de Edimburgo, que também esteve envolvido no estudo.

No final do Eocénico, há 40 milhões de anos, a diminuição da temperatura da Terra foi o arranque para o “congelamento” da Antárctida, a movimentação das placas tectónicas que “chutaram” o continente para o Pólo Sul e a formação da corrente circumpolar antárctica tornaram o clima do continente no que é agora.

Por cima das montanhas de Gamburtsev existem três quilómetros de gelo. “É necessária uma temperatura média anual de três graus célsius para que os glaciares se formem como se formaram”, disse Siegert. “Hoje, a temperatura média anual nesta região é de 60 graus negativos. Por isso acreditamos que estas montanhas são uma relíquia [devido à erosão glacial] da Antárctida antes da camada de gelo estar no lugar”

O estudo também é revelante para se compreender a estabilidade do gelo. “É uma parte crítica do sistema terrestre,” disse Ferraccioli. “Se todo o gelo derretesse, o nível médio do mar subiria cerca de 60 metros.”

“Tem havido muitas alterações climáticas ao longo destes 14 milhões de anos”, disse Siegert. “O que podemos dizer sobre este local no meio da Antárctica é que nada mudou.” Mas o investigador avisa que se o mundo continuar a emitir dióxido de carbono como tem feito até agora, nos próximos mil anos o continente deixará de ter gelo.

“Isto põe a camada de gelo no contexto do clima global e quais são as condições necessárias para uma camada de gelo aumentar,” explicou Siegert. “O que é preocupante é que parece que nos dirigimos para concentrações de dióxido de carbono consistentes com alturas em que havia muito menos gelo.”

03.06.2009 – 23h26 PÚBLICO

 

 
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