Uma equipa de astrónomos diz ter detectado indícios de um planeta fora da Via Láctea, na galáxia de Andrómeda. A investigação assinala o que poderá ser um planeta gigante com seis vezes a massa de Júpiter ou uma anã-castanha (uma estrela falhada, que não tinha matéria suficiente para se acender, desencadeando a fusão nuclear).
O trabalho será publicado na revista “Monthly Notices of the Royal Astronomical Society” (MNRAS) e foi feito por cientistas do Instituto nacional de Física de Nuclear (INFN) em Itália e de colaboradores da Suíça, Espanha e Rússia, noticia o site da BBC.
Já foram identificados cerca de 350 planetas extra-solares na nossa galáxia, a Via Láctea, desde 1995. A novidade agora é a possibilidade de espreitar para outras galáxias, sublinhou à BBC Francesco De Paolis, do INFN. “Hoje já dispomos de tecnologia para detectar planetas com a massa de Júpiter e até mesmo planetas mais pequenos em outras galáxias”, comentou. “É uma coisa excepcional”.
A descoberta deste possível planeta foi feita usado um método que analisa o efeito de produzido pela passagem de corpos espaciais entre um observador e uma estrela ou planeta distante. Se forem muito maciços, estes objectos podem causar distorções, já que a gravidade do objecto que está no meio faz curvar a luz. Mas a técnica usada pelos cientistas aproveita-se do efeito contrário: há um aumento notável na intensidade da luz observada quando um objecto menos maciço passa entre o observador e uma estrela ou planeta distante.
Mas não é possível prever quando acontecerá esta passagem de um objecto menos maciço entre o observador e a estrela – tudo pode durar apenas algumas horas ou até minutos. Por esse motivo, este estudo não foi uma observação directa: baseou-se na análise exaustiva de observações feitas em 2004 pela colaboração internacional Point-Agape, que fez um estudo exaustivo do que se passava naquela altura, naquele ponto do céu.
Os dados observacionais da galáxia de Andrómeda foram, então, relacionados com um programa informático desenvolvido pela equipa, para determinar se encontrariam alguma “curva de luz” sugestiva de um planeta em torno de uma estrela.
Conseguiram-no, mas confirmar isto pelo mesmo método é que será difícil, pois estas passagens de objectos são raras e, claro imprevisíveis. Ainda assim, partindo desta descoberta, os astrónomos vão tentar trabalhar com um telescópio maior e continuar as suas observações para encontrarem outros candidatos.
14.06.2009 – 12h43 PÚBLICO
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