BioGeogilde’s Weblog

Blog de apoio e complemento às aulas de Ciências Naturais -9º e Biologia Geologia-10º

Genoma do milho revela que tem mais genes do que um ser humano 23/11/2009

Arquivado em: 11ºA, Notícias da Ciência — biogilde @ 3:56 pm
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O complexo genoma do milho, que tem mais genes do que o dos seres humanos (32 mil, quando o do homem ronda os 20 mil) acaba de ser sequenciado. Os resultados são hoje publicados na revista “Science” e em duas outras revistas científicas e podem ajudar a enteder a complicada história de um dos cereais mais cultivados.

O genoma do milho tem 2,3 mil milhões de pares de bases químicas que formam as cadeias de ADN, quando o dos humanos têm 2,9 mil milhões. Mas tem apenas dez cromossomas, em vez dos 23 dos seres humanos.

Cerca de 85 por cento dos segmentos de ADN do milho estão repetidos em diferentes pontos do genoma, o que complica o trabalho de sequenciação, sublinham os cientistas. “Sequenciar o genoma do milho foi como guiar por uma estrada sem nada à volta durante muitos quilómetros, avistando apenas postes de sinalização muito esporadicamente”, comentou Sandra Clifton, da Universidade Washington em Saint Louis (EUA), a instituição que coordenou os esforços das várias equipas norte-americanas que participaram neste trabalho, publicado ainda nas revistas “Proceedings of the National Academy of Sciences” e Public Library of Science – Genetics”. (mais…)

 

Grávida transmitiu cancro ao seu bebé no útero 14/10/2009

grávidaDuas questões intrigavam há décadas os especialistas: podia uma mãe transmitir um cancro ao seu bebé ainda por nascer, através da placenta, como se de um contágio se tratasse? E se assim fosse, como é que as células cancerosas da mãe não eram imediatamente reconhecidas como estranhas pelo sistema imunitário do feto e eliminadas?14/10/10 PÚBLICO

O trágico caso de uma japonesa de 28 anos veio demonstrar, pela primeira vez, que uma tal transmissão é possível e resolver o enigma. A mulher, aparentemente saudável, tinha dado à luz uma menina aparentemente saudável. Porém, a mãe acabaria por morrer, um mês e meio após o parto, de uma leucemia aguda. E, passados 11 meses, a menina dava entrada no hospital com um inchaço na bochecha: um linfoma. A criança, hoje com três anos, encontra-se em remissão.

Desde meados do século XIX conhecem-se 17 casos de provável passagem de metástases da mãe para o feto, explicam Takeshi Isoda, da Universidade Médica e Dentária de Tóquio, Mel Greaves, da Universidade de Londres, e colegas, na revista Proceedings of the National Academy of Sciences. Mas agora provou-se, escrevem, “sem qualquer ambiguidade, que o cancro do bebé é de origem materna”. (mais…)

 

Nobel da Química para estudo do ribossoma e da forma como ilustra a evolução de Darwin 07/10/2009

Nobel1Distinguidos dois norte-americanos e uma israelita

O ribossoma traduz a informação contida no núcleo da célula, escrita no código do ADN, é traduzida para produzir proteínas, que são os tijolos que que são construídos todos os seres vivos. Os três cientistas este ano premiados com o Nobel da Química recebem o premio por terem estudado a sua estrutura, através de um método denominado cristalografia de raios-X, e por terem cartografado cada um dos centenas de milhares de átomos que constituem esta estrutura existente no interior das células.

Venkatraman Ramakrishnan (EUA, embora nascido na Índia há 57 anos), Thomas A. Steitz (EUA, 69 anos) e Ada E. Yonath (Israel, 70 anos) são os galardoados deste ano.

“A trilogia de prémios iniciou-se com o mais famoso de todos, o de 1962, quando James Watson, Francis Crick e Maurice Wilkins receberam o reconhecimento pela elaboração do modelo atómico da molécula de ADN em forma de dupla hélice”, diz um comunicado da Real Academia de Ciências Sueca. De fora ficou Rosalind Franklin, a cientista que de facto obteve as imagens em cristalografia de raios-X vistas de forma algo subreptícia por Watson e que lhe deram a ideia inspiradora de como seria a verdadeira estrutura do ADN – mas em 1962 Franklin já tinha morrido, de cancro. (mais…)

 

Dois macacos ficaram curados de daltonismo com terapia genética 17/09/2009

macacosgenesTécnica tem potencial de ser aplicada a seres humanos

Uma equipa das universidades de Washington e da Florida recorreu à terapia genética para curar o daltonismo em dois macacos-esquilo. O trabalho que, referem, poderá ter consequências no tratamento de doenças que envolvem as células cone em humanos, é publicado hoje na Nature. Uma das conclusões mais relevantes é mostrar que é possível tratar estes problemas de visão em adultos, quando já não temos a plasticidade cerebral dos primeiros anos.

Os macacos-esquilo usados no estudo chamam-se Dalton e Sam mas, antes das apresentações, impõe-se a pergunta: como é que os cientistas conseguiram avaliar e acompanhar o daltonismo em dois macacos? Como sabiam quando é que os animais viam as cores e se as viam correctamente? Como muito treino e testes e com muitos anos de dedicação.

Segundo o comunicado divulgado sobre o trabalho, Dalton e Sam são acompanhados pela equipa de há cerca de dez anos. Os dois macacos foram submetidos a diversas provas, algumas semelhantes às que são feitas a crianças em todo o mundo, e a exames em frente ao computador. (mais…)

 

Genética comprova identidade de irmãos Romanov 28/04/2009

romanov4Os Romanov foram os últimos de uma dinastia com mais de 300 anos.

O último mistério da família real russa esfumou-se. Testes genéticos confirmaram que as ossadas identificadas em 2007 pertencem aos dois filhos que faltavam encontrar do último czar da Rússia, Nicolau II. A investigação foi feita por uma equipa de várias nacionalidades e o artigo foi hoje publicado no site online da revista científica Public Library of Science ONE.

A família real Russa foi executada pelos bolcheviques depois da revolução de 1917, quando Nicolau II já tinha abdicado do trono. O czar, a mulher Alexandra, os cinco filhos: Maria, Tatiana, Anastasia, Olga e Alexei – o filho mais novo e herdeiro do trono – estavam nos montes Urais, em Iekaterinburg e foram executados a tiro a 17 de Julho de 1918, por um esquadrão na cave da casa de um comerciante.

O destino dos corpos manteve-se desconhecido durante as décadas seguintes, o que perpetuou a história de que alguns dos filhos teriam conseguido fugir, permitindo que várias pessoas alegassem ser os descendentes da família. Em 1970 foram descobertas as ossadas da família, mas o achado permaneceu escondido até à queda da União Soviética.

Só em 1991 é que as ossadas começaram a ser estudadas, mas os testes genéticos mostraram que os restos mortais só pertenciam ao casal e a três filhos, faltando encontrar Alexei e uma das quatro irmãs. Em 1998, os ossos foram enterrados na Catedral de S. Pedro e S. Paulo, em São Petersburgo, e a Igreja Ortodoxa Russa canonizou toda a família real, com o argumento de que tinham “passado grande sofrimento com abnegação, paciência e humildade”.

Durante quase dez anos manteve-se a dúvida sobre o que teria acontecido aos dois filhos do czar. Mas em 2007, a menos de 100 metros das primeiras ossadas, encontraram-se 44 ossos que seriam de dois indivíduos. As primeiras investigações revelaram que os ossos pertenciam a dois jovens, uma adolescente entre os 17 e os 19 anos e um rapaz entre os 12 e os 15 anos, o que correspondia a uma das irmãs (Anastasia ou Maria) e a Alexei. No entanto, desde 2007 que se esperava pelos testes genéticos para confirmar a verdadeira identidade.

Os testes compararam o ADN das ossadas dos dois indivíduos com o do resto da família e ainda com o ADN do irmão de Nicolau II, que morreu de tuberculose quando era jovem. Por outro lado, através de pequenas amostras, foram capazes de comparar o material cromossómico de toda a família com o ADN do sangue de Nicolau II, que ficou conservado numa camisa que usou em 29 de Abril de 1891, quando foi atacado por um polícia japonês, na cidade de Otsu. A camisa ficou na Rússia até aos nossos dias.

Os resultados foram perfeitos. “As provas genéticas são realmente arrebatadoras”, disse o norte-americano Michael Coble e primeiro autor do artigo, citado pelo jornal “Los Angeles Times”. A informação foi replicada independentemente noutros laboratórios e confirmou-se.

Em Maio, os responsáveis pelo estudo vão apresentar as provas à igreja Russa Ortodoxa. Os Romanov não tinham sido enterrados como realeza, e espera-se que a investigação comprove que o destino da família real está, para sempre, esclarecido.
11.03.2009 – PÚBLICO.PT

 

Estudo: Alguns vírus cancerígenos mudam geneticamente 11/02/2009

Arquivado em: Notícias da Ciência — biogilde @ 2:10 pm
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Os vírus causadores de alguns cancros modificam o seu material genético para enganar as defesas do organismo, sustenta um estudo espanhol publicado na revista Genome Research.

Estas alterações epigenéticas também podem estar presentes nos vírus como o da sida ou o da gripe, assinala o estudo.

O objectivo da investigação é esclarecer porque é que algumas pessoas portadoras de virus oncogénicos os eliminam, outras progridem para uma infecção e outros portadores acabam por desenvolver um tumor canceroso, e ainda ver que modificações no genoma estão implicadas neste processo.

Para o estudo fez-se uma mapa completo da metilação do ADN, um tipo específico de modificação química do material genético a partir de vários tipos de vírus relacionados com tumores, no que é a primeira análise completa que se faz do epigenoma de um ser vivo completo, como é um vírus.

O estado de metilação de alguns genes pode ser usado como um marcador do desenvolvimento dos tumores e para decifrar as complexas regras que determinam que tipo de genes podem ser metilados (alterados) durante a génese de um tipo de cancro, o que pode ser muito útil para se fazer um diagnóstico precoce.

Ao comparar o metiloma em portadores assintomáticos do vírus, em pacientes com uma infecção activa e em pacientes que estão a desenvolver um cancro, os investigadores viram que nos primeiros não está metilado, que ao desenvolver-se uma infecção começa a metilar, e que ao ter um tumor, o genoma do vírus está muito metilado.

Perante estes resultados, concluíram que a metilação é um mecanismo que usa o vírus para esconder-se do organismo, o que lhe permite perpetuar-se nas células.
                                                                                                                In Diário Digital a terça-feira, 10 de Fevereiro de 2009